Relator da CPI do Crime Organizado promete enfrentar à decisão de Gilmar Mendes que protege empresa ligada a Toffoli
Alessandro Vieira afirma que vai recorrer “em todas as instâncias” após STF invalidar acesso a dados da empresa Maridt, ligada a familiares de Dias Toffoli.
- Foto: Reprodução
Resumo
O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira, anunciou que irá contestar a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, que anulou a quebra de sigilo da empresa Maridt. O senador afirma que a medida compromete as investigações do colegiado.
Notícias do Brasil – O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que irá “enfrentar” a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilo da empresa Maridt.
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A companhia é ligada a familiares do ministro Dias Toffoli. A decisão do STF também determinou a inutilização de eventuais dados que tenham sido enviados ao colegiado do Senado no âmbito da investigação.
Vieira declarou que a medida causa “grande preocupação” e informou que adotará providências jurídicas. “Como relator da CPI do Crime Organizado, informo que vamos enfrentar esta decisão em todas as instâncias possíveis”, afirmou.
O Brasil entendeu que esse escândalo é grande demais para esconder debaixo do tapete. A sequência de decisões “atípicas” é um sinal claro do quanto estamos perto de romper o mais antigo e forte acordão de impunidade do País. A lei deve valer para todos e vamos cumprir essa missão pic.twitter.com/XyPBoPmafa
— Alessandro Vieira (@_AlessandroSE) February 27, 2026
Quebra de sigilo havia sido aprovada pela CPI
A quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da empresa havia sido aprovada pela comissão na quarta-feira (25/2). Segundo o relator, a empresa teria optado por questionar a decisão diretamente no STF, por meio de petição apresentada a Gilmar Mendes em um mandado de segurança arquivado desde março de 2023.
De acordo com Vieira, o processo foi desarquivado, a petição aceita e, na sequência, a determinação da CPI acabou anulada, com posterior arquivamento do caso. “Trata-se de flagrante absurdo”, declarou o senador.
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A decisão do ministro atendeu a recurso apresentado pela própria empresa ao Supremo.
Argumentos do STF e reação do relator
Para Gilmar Mendes, a CPI teria extrapolado o escopo da investigação definido no ato de criação do colegiado. O ministro entendeu que a quebra de sigilo não estaria diretamente vinculada ao objeto específico da comissão parlamentar.
Vieira, por sua vez, sustenta que o conjunto de decisões judiciais relacionadas ao caso, somado a movimentações financeiras consideradas atípicas, levanta suspeitas que justificariam aprofundamento das apurações.
“Desse emaranhado de decisões judiciais consideradas atípicas e de movimentações financeiras milionárias e suspeitas, impõe-se uma conclusão: este escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete”, afirmou.
Impacto político e institucional
A decisão reacende o debate sobre os limites de atuação das CPIs e o alcance do controle judicial sobre atos do Legislativo. Enquanto o Supremo aponta possível desvio de finalidade, o relator argumenta que a comissão tem prerrogativas constitucionais para investigar fatos determinados de interesse público.
O caso deve gerar novos desdobramentos jurídicos nos próximos dias, já que o senador anunciou que buscará reverter a decisão por meio dos instrumentos legais cabíveis. No centro da disputa está a definição sobre até onde pode ir uma CPI — e onde começa a barreira imposta pelo Judiciário.
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