Relatoria de Derrite no PL Antifacção provoca reação do PT e divide deputados
Relator escolhido por Hugo Motta recebe apoio da oposição e críticas do PT.
- Foto: SSP-SP
Notícias de Política – A indicação do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) para relatar o Projeto de Lei Antifacção gerou um racha político na Câmara dos Deputados e intensificou as tensões entre o governo federal e a oposição. O nome do parlamentar foi confirmado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), na sexta-feira (7).
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A escolha foi elogiada por parlamentares da direita e criticada por líderes governistas, que classificaram a decisão como um gesto de provocação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reassumiu o mandato para conduzir o parecer da proposta.
Poucas horas após o anúncio, Derrite apresentou o primeiro relatório do projeto, no qual rejeitou a fusão com outro texto que equipara facções criminosas a organizações terroristas, como defendia parte da oposição. Ainda assim, o relator sugeriu que ações armadas e de controle territorial de facções sejam enquadradas com as mesmas penas aplicadas ao terrorismo, variando de 20 a 40 anos de prisão.
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) parabenizou Derrite e afirmou que o projeto está “em boas mãos”. Já o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), criticou duramente a decisão de Hugo Motta, dizendo que o gesto “foi um desrespeito ao presidente Lula” e que colocar um aliado de Tarcísio à frente do projeto “parece uma tentativa de atrapalhar a tramitação de uma pauta prioritária do governo”.
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Nos bastidores, o Planalto designou a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), para articular a preservação do texto original enviado pelo Executivo. A estratégia do governo é evitar mudanças que possam enfraquecer o projeto ou distorcer suas diretrizes de segurança pública.
Apesar da pressão, a votação deve atrasar. O presidente da Câmara marcou o início das discussões para terça-feira (11/11), mas o plenário deve estar esvaziado devido à COP30, que ocorre nesta semana em Belém (PA).
Em seu parecer preliminar, Derrite destacou “fragilidades” no texto do governo e defendeu ajustes que, segundo ele, tornariam o projeto mais eficaz no combate ao crime organizado. A disputa promete se estender pelas próximas semanas e marcar mais um capítulo da polarização política entre governo e oposição no Congresso Nacional.
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