Saiba como funciona o processo de impeachment de um ministro do STF
Só a atual legislatura já acumula 26 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
- Foto: Felipe Sampaio/STF
Notícias do Brasil – O impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é um processo jurídico-político previsto na Constituição Federal e regulamentado pela Lei nº 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade. Embora seja um mecanismo legítimo, trata-se de um processo raro e de difícil tramitação, devido às exigências legais e políticas envolvidas.
Veja, passo a passo, como funciona o rito de impeachment de um ministro do STF no Senado Federal:
1. Apresentação da denúncia ao Senado
Qualquer cidadão pode apresentar uma denúncia por crime de responsabilidade contra um ministro do STF, encaminhando-a diretamente ao presidente do Senado. A denúncia precisa estar devidamente fundamentada, com provas e/ou indícios claros da infração cometida, conforme previsto no artigo 39 da Lei 1.079/1950.
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2. Análise preliminar pelo presidente do Senado
O presidente do Senado tem a prerrogativa de aceitar ou rejeitar liminarmente a denúncia. Caso ele entenda que a petição é inepta, infundada ou sem base legal, pode arquivá-la de imediato. Se considerar que a denúncia apresenta elementos mínimos de admissibilidade, dá prosseguimento ao rito.
3. Leitura no Plenário e envio à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
Após aceita, a denúncia é lida no plenário do Senado e enviada para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A CCJ é responsável por avaliar a legalidade, a admissibilidade e os fundamentos jurídicos da acusação.
4. Parecer da CCJ
A CCJ designa um relator para elaborar um parecer sobre a denúncia. Esse parecer pode ser favorável ou contrário à abertura do processo de impeachment. Após debate e votação na comissão, o relatório aprovado segue para o plenário do Senado.
5. Votação em plenário
O plenário do Senado vota o parecer da CCJ. Para que o processo de impeachment avance, é necessário o voto favorável de, no mínimo, a maioria absoluta dos senadores (41 dos 81).
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6. Instauração do processo e afastamento
Com a aprovação da denúncia, inicia-se formalmente o processo de impeachment. O ministro do STF acusado é afastado imediatamente de suas funções por até 180 dias, conforme estabelece o §2º do art. 52 da Constituição.
7. Julgamento pelo Senado Federal
O julgamento é conduzido pelo presidente do STF, mas quem julga é o próprio plenário do Senado. Para a condenação e perda definitiva do cargo, são necessários dois terços dos votos dos senadores (54 dos 81).
8. Consequências da condenação
Se condenado, o ministro do STF é destituído do cargo e pode ficar inelegível por até cinco anos, conforme o artigo 52 da Constituição. A condenação não impede que ele responda por eventuais crimes comuns na esfera penal.
Resumo do rito:
Denúncia por crime de responsabilidade é protocolada no Senado.
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Presidente do Senado decide se aceita ou arquiva.
Se aceita, vai à CCJ para parecer jurídico.
Plenário do Senado vota pela instauração do processo.
Ministro é afastado por até 180 dias.
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Senado julga o mérito com presidência do STF.
Condenação exige dois terços dos votos.
Histórico
Apesar de previsto legalmente, nenhum ministro do STF foi destituído por impeachment até hoje no Brasil. O processo exige amplo respaldo político, provas robustas e mobilização institucional.
Só a atual legislatura já acumula 26 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. Apenas referente a Alexandre de Moraes, já foram apresentados 13 pedidos. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não sinalizou se pretende levar adiante algum dos pedidos.
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