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Saiba por que a Polícia Federal rejeitou a delação premiada de Daniel Vorcaro

Ex-banqueiro preso por fraudes bilionárias segue negociando colaboração premiada com a PGR após decisão da Polícia Federal.

Por Natan AMPOST

21/05/2026 às 10:21 - Atualizado em 22/05/2026 às 09:01

Resumo


A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro após concluir que ele não apresentou informações novas relevantes para as investigações. Entre os fatores que pesaram contra o acordo estão supostas omissões envolvendo políticos, ministros do STF e repasses milionários ligados ao senador Flávio Bolsonaro. As negociações seguem com a PGR.

Notícias do Brasil – A tentativa de colaboração premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sofreu um duro revés nesta quarta-feira (20), após a Polícia Federal rejeitar oficialmente o acordo proposto pela defesa do empresário. Preso desde março sob suspeita de fraudes financeiras bilionárias, Vorcaro buscava fechar uma delação premiada que pudesse reduzir sua pena e ampliar sua margem de negociação com autoridades.

Segundo fontes ligadas às investigações, a PF concluiu que o material apresentado até agora não trouxe fatos inéditos ou elementos considerados relevantes para avançar nos inquéritos já em andamento. Na avaliação dos investigadores, a colaboração foi considerada “limitada”, “seletiva” e marcada pela omissão de personagens centrais do caso.

Apesar da negativa da Polícia Federal, as negociações continuam abertas com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda demonstra interesse em aprofundar as tratativas.

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PF apontou ausência de fatos novos

O principal motivo para a rejeição foi a percepção de que Vorcaro não entregou novidades capazes de alterar o rumo das investigações. Fontes próximas ao caso afirmam que grande parte das informações já era de conhecimento da PF antes mesmo da proposta de colaboração.

Leia mais: PF aponta omissões e rejeita acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro

Além disso, investigadores entenderam que o ex-banqueiro teria evitado citar determinadas relações políticas e financeiras consideradas estratégicas para o caso.

A insatisfação dentro da corporação aumentou após a defesa entregar uma primeira minuta da delação no início de maio. O conteúdo foi analisado tanto pela PF quanto pela PGR, mas acabou frustrando investigadores que esperavam revelações mais abrangentes sobre o esquema investigado.

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Ligações políticas pesaram contra Vorcaro

Entre os episódios que mais desagradaram os investigadores está a suposta omissão envolvendo o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas.

De acordo com a investigação, Ciro teria recebido vantagens indevidas relacionadas ao antigo Banco Master. A suspeita envolve uma proposta de emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — medida que, segundo investigadores, interessava diretamente à instituição financeira comandada por Vorcaro.

A PF aponta que integrantes do banco teriam participado da elaboração da proposta. No entanto, o ex-banqueiro não teria mencionado esse episódio em sua colaboração inicial.

Outro ponto considerado grave foi a ausência de informações sobre a relação entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro.

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Repasse milionário e filme “Dark Horse”

Na última semana, reportagens revelaram mensagens, documentos e áudios indicando negociações milionárias entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro para financiamento do filme “Dark Horse”.

Segundo os relatos divulgados, o valor negociado teria chegado a R$ 134 milhões, dos quais pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos ao parlamentar.

As informações aumentaram o desgaste da tentativa de delação porque, segundo investigadores, Vorcaro não mencionou nem os pagamentos nem os encontros realizados com o senador durante as negociações com a PF e a PGR.

Na terça-feira (19), Flávio Bolsonaro confirmou ter se encontrado com o ex-banqueiro em dezembro de 2025, período em que Vorcaro já cumpria prisão domiciliar.

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STF e Congresso aparecem no radar

Outro fator sensível nas negociações envolve o possível alcance político da colaboração. Fontes ligadas ao caso afirmam que existe potencial para envolver integrantes do Congresso Nacional e até ministros do Supremo Tribunal Federal.

Nos bastidores, porém, aliados de Vorcaro avaliam que relações institucionais entre integrantes da Procuradoria-Geral da República e ministros da Corte poderiam dificultar avanços em determinadas frentes da delação.

A expectativa da defesa era priorizar um acordo diretamente com a PGR, considerada mais aberta à negociação do que a Polícia Federal.

Prisão, cela comum e pressão nas negociações

Na segunda-feira (18), Vorcaro foi transferido para uma cela comum dentro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O movimento foi interpretado nos bastidores como um sinal claro de desgaste entre investigadores e a defesa do ex-banqueiro.

Atualmente, três pontos concentram as discussões para eventual acordo: o ressarcimento estimado em cerca de R$ 50 bilhões, o modelo de cumprimento da pena e a profundidade das informações apresentadas.

Vorcaro tenta garantir prisão domiciliar ao menos até eventual julgamento, enquanto autoridades cobram revelações mais amplas sobre agentes políticos, operadores financeiros e possíveis ramificações institucionais do caso.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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