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Sem conciliar os ‘dois brasis’, Lula convida governadores para ato por um ano do 8 de janeiro

Os ataques foram uma tentativa de golpe, que foi contida.

14/12/2023 às 18:05

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou na terça-feira, 12, governadores para um evento no próximo dia 8 de janeiro, quando se completa um ano dos ataques às sedes dos Poderes, em Brasília. Segundo Lula, os ataques foram uma tentativa de golpe, que foi contida. Em cerimônia no Palácio do Planalto, na qual estavam presentes quatro chefes dos Executivos estaduais – os lulistas Helder Barbalho (MDB-PA) e Fábio Mitidieri (PSD-SE), e os bolsonaristas Eduardo Riedel (PSDB-MS) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) -, o petista voltou a enfatizar a importância da união pró-democracia entre líderes políticos e empresariais.

Apesar da intenção do presidente, o primeiro ano de seu terceiro mandato não será caracterizado pela reconciliação nacional. Lula assumiu em 1.º de janeiro ressaltando a “necessidade de unir o País” e destacando que “não existem dois Brasis”. No entanto, nas semanas seguintes ao início de seu terceiro mandato, o chefe do Executivo federal fez uma série de declarações sugerindo a disputa entre grupos antagônicos na sociedade, tanto nas preferências políticas quanto em relação a classes sociais.

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Quase um mês após a invasão das sedes dos três Poderes, no início de fevereiro, o petista afirmou que os atos golpistas na capital federal foram realizados pelos “ricos que perderam as eleições”. O Planalto, sob seu comando, também não conseguiu impedir a instalação de uma CPI Mista sobre o 8 de Janeiro no Congresso. A comissão virou basicamente um palco de embates entre governistas e oposicionistas, ampliando a agressiva polarização que envolve a esquerda – capitaneada pelo PT – e a direita mais radical – representada principalmente pelos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No dia seguinte aos ataques do 8 de janeiro, Lula reuniu governadores no Palácio do Planalto e liderou um ato contra a ação dos radicais. A comitiva formada por políticos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atravessou a Praça dos Três Poderes a pé para visitar a sede depredada da Corte.

Ontem, o presidente sugeriu a repetição do gesto. “Estou convidando todos os governadores porque no dia 8 de janeiro nós vamos fazer um ato aqui em Brasília para lembrar o povo que tentou-se dar um golpe dia 8 de janeiro e que ele foi debelado pela democracia desse país”, afirmou durante cerimônia sobre financiamento de obras nos Estados por bancos federais.

“Pretendo ter todos os governadores aqui, deputados, senadores, empresários, para a gente nunca mais deixar as pessoas colocarem em dúvida que o regime democrático é a única coisa que dá certeza das instituições funcionarem e o povo ter acesso a participar da riqueza que ele produz. O restante é balela”, disse Lula.

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O 8 de janeiro também acentuou o desgaste na imagem do Supremo. A extensão das prisões e a condução dos processos dos réus geraram críticas contundentes à Corte, inclusive da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

‘Bordões fascistas’

Relator das ações resultantes dos ataques aos prédios dos três Poderes, o ministro Alexandre de Moraes rebateu as críticas ao modo como vem lidando com os réus pelos atos antidemocráticos. Para ele, quem critica o tratamento penitenciário aos processados “nunca se preocupou com os 700 mil presos brasileiros”.

“Enquanto não havia gente ligada a essas pessoas, elas tinham bordões fascistas em relação àqueles que cometiam crimes”, disse Moraes em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. “Nunca defenderam o que elas (os réus) têm agora no Supremo, devido processo legal, direito a advogado, a um julgamento por 11 ministros”.

Para o ministro do STF, que foi ovacionado com gritos de “Xandão” anteontem no Palácio do Planalto, não há excessos na condução dos processos e as penas elevadas se explicam pela gravidade e cumulatividade dos crimes enquadrados.

A resposta dos representantes das instituições republicanas ao convite de Lula vai indicar o quanto os “dois Brasis” foram unidos ou o quanto se mantêm separados.

Estadão Conteúdo

Estadão Conteúdo

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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