Sindicato ligado ao irmão de Lula é alvo de nova fase de operação da PF contra fraudes no INSS
Polícia Federal cumpre 66 mandados, um deles no Amazonas, em nova fase da Operação Sem Desconto.
- Foto: reprodução
Notícias do Brasil – O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade ligada à Força Sindical e que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico — irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —, foi alvo de uma nova fase da “Operação Sem Desconto” deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (9). A ação investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e benefícios do INSS.
A ação cumpre 66 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em oito estados e no Distrito Federal. As diligências ocorrem em São Paulo (45 mandados), Sergipe (12), Amazonas (1), Rio Grande do Norte (1), Santa Catarina (2), Pernambuco (2), Bahia (2) e no Distrito Federal (1).
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O Sindnapi é apontado pela investigação como uma das principais entidades envolvidas no suposto esquema de descontos irregulares aplicados a aposentados sem o consentimento dos beneficiários. Segundo a PF, o grupo investigado teria firmado convênios e acordos fraudulentos para reter parte dos valores das aposentadorias em nome de serviços não contratados.
- Foto: Reprodução/TV Globo
Presidente do sindicato é alvo de mandados e presta depoimento à CPMI
O presidente do sindicato, Milton Baptista de Souza Filho, teve mandado de busca e apreensão cumprido em sua residência e na sede do Sindnapi em São Paulo. Ele também foi convocado para depor nesta quinta-feira à CPMI do INSS, em Brasília, que apura irregularidades semelhantes.
Apesar do envolvimento institucional, Frei Chico, irmão do presidente Lula, não é alvo direto da operação, mas seu vínculo com a diretoria da entidade tem gerado pressão política sobre o governo. Parlamentares da oposição afirmam que há conflito de interesse e cobram transparência nas relações entre o sindicato e o Planalto.
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PF investiga esquema nacional de descontos fraudulentos
A “Operação Sem Desconto”, coordenada pela PF com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), teve início em 2023 e já resultou em diversas fases de investigação. O foco principal é apurar fraudes milionárias que afetam milhares de aposentados em todo o país. De acordo com a corporação, as investigações indicam que entidades e associações firmavam convênios com o INSS e realizavam cobranças automáticas nos benefícios previdenciários sem a autorização dos segurados.
Em algumas situações, os valores descontados chegavam a comprometer até 10% da renda mensal dos aposentados, sob a justificativa de contribuição associativa. O caso ganhou destaque nacional pela abrangência e pelo número de instituições envolvidas, incluindo sindicatos e associações regionais.
Sindnapi nega irregularidades e diz ter sido “surpreendido”
Em nota oficial, o Sindnapi declarou “surpresa” com a nova fase da operação e negou qualquer envolvimento em práticas ilícitas. “O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), por meio de seus advogados, manifesta sua surpresa com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu presidente e alguns diretores”, diz o comunicado.
A entidade também afirmou que não teve acesso ao conteúdo do inquérito policial nem aos fundamentos que motivaram a decisão judicial, e reiterou seu “repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração”. Segundo o texto, o sindicato “comprovará a lisura e legalidade de sua atuação”, destacando que sempre agiu “em prol de seus associados, garantindo-lhes dignidade e respeito”.
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