Pesquisar por em AM POST

Brasil

Sistema de inteligência do governo estava ‘caótico’ durante 8 de janeiro, diz diretor-geral da Abin

Ele declarou também que, no passado, nenhum governo deu a devida atenção às habilidades da Abin, incluindo as gestões do Partido dos Trabalhadores.

  • Estadão Conteúdo

  • 02/10/2023 às 15:53

  • Atualizado em 02/10/2023 às 16:26

  • Leitura em três minutos

blank

Sistema de inteligência do governo estava ‘caótico’ – Foto: Reprodução

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, disse que o sistema de inteligência do governo federal estava “caótico” no 8 de janeiro. Ele declarou que, no passado, nenhum governo deu a devida atenção às habilidades da Abin, incluindo as gestões do Partido dos Trabalhadores.

Em entrevista para o jornal O Globo divulgada nesta segunda-feira, 2, Fernando Corrêa, que foi nomeado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comandar a agência, disse que a Abin não tinha “uma lógica” e “um funcionamento adequado” no período dos ataques aos prédios dos Três Poderes. “É o sistema como todo, e nós vamos atribuir total responsabilidade à Abin, porque era órgão central?”

PUBLICIDADE

Na avaliação do chefe da Abin, que também comandou a Polícia Federal (PF) entre 2007 e 2011, todos os governos posteriores à redemocratização do País não “trataram a atividade de inteligência devidamente”, inclusive as gestões de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “A atividade foi malcuidada. Isso ocorreu por razões óbvias: a desconfiança de que o serviço servia só para vigiar pessoas, contrariava interesses do Estado, uma questão cultural”, afirmou.

Fernando Corrêa também mencionou que a Abin está tentando “estudar o fenômeno” dos movimentos radicais para ajudar o governo federal na criação de políticas públicas. No fim de agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes visitou a sede da agência para solicitar maior atenção aos ataques antidemocráticos, como mostrou a Coluna do Estadão. Na ocasião, o diretor-geral afirmou que o assunto é de alta prioridade.

Ex-diretor disse à CPMI que alertou governo Lula

Quem comandava a direção da Abin durante os ataques aos Três Poderes era o oficial de Inteligência Saulo Moura da Cunha. Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, ele afirmou que alertou pessoalmente o então ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Marco Edson Gonçalves Dias, conhecido como G. Dias, para o agravamento dos riscos de invasão dos prédios públicos.

PUBLICIDADE

“Eu comecei a falar por volta das 8h no dia 8 de janeiro com o general G. Dias e a encaminhar informações que recebia, inclusive ressaltando a informação dos 105 ônibus (que chegaram a Brasília com golpistas)”, afirmou Cunha em depoimento aos parlamentares.

Em julho, quando a Abin já era dirigida por Fernando Corrêa, a agência encaminhou para a CPMI relatórios com os dados de empresas identificadas por serem responsáveis por financiar 103 ônibus utilizados em caravanas para deslocar golpistas para a capital federal. Ao todo, 83 pessoas e 13 empresas estão envolvidas nas contratações.

PUBLICIDADE

Estadão Conteúdo

Faça parte da comunidade

  • Praticidade na informação

  • Notícias todos os dias

  • Compartilhe com facilidade

blank WhatsApp Telegram

Apoie o AM POST

O AM POST está há mais de 8 anos produzindo jornalismo sério e de qualidade. É uma luta constante manter este projeto com a seriedade e a qualidade que nos propomos.

Apoie

blank

Últimas notícias

blank
blank
blank
blank
blank
blank