STF adota silêncio após tarifa dos EUA e recua de declarações irônicas
Após meses de ironias sobre possível retaliação americana, ministros evitam comentar medida de Trump.

Foto: reprodução
Notícias do Brasil – A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo ex-presidente americano Donald Trump, provocou desconforto entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que optaram por não responder publicamente à medida. A decisão, comunicada oficialmente à presidência da República, marca uma mudança de postura do tribunal, que até então vinha ironizando qualquer possibilidade de sanção internacional ligada às suas decisões.
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Segundo apuração da imprensa, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de quarta-feira (9) para informar que a Corte manteria silêncio institucional sobre o episódio, deixando a resposta ao Executivo. A iniciativa veio logo após a divulgação oficial das novas tarifas americanas, que citam nominalmente o Supremo como motivo da retaliação.
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A reação contida contrasta com declarações recentes de ministros como Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Moraes, em entrevista à revista New Yorker em abril, chegou a afirmar que apenas um porta-aviões americano poderia interferir nas decisões do tribunal. Já Dino ironizou em maio que, se houvesse sanções, haveria sempre “Nova Iorque do Maranhão” para visitar. Até mesmo Gilmar Mendes havia declarado que o Brasil não deveria ceder a pressões de “agentes estrangeiros”.
O anúncio de Trump, no entanto, foi direto. Em carta enviada a Lula, o ex-presidente americano justificou a sanção alegando “ataques insidiosos contra eleições livres e à liberdade de expressão”, destacando ordens de censura supostamente emitidas pelo STF a redes sociais com sede nos Estados Unidos, como X (antigo Twitter) e Rumble. Ele ainda insinuou que a medida pode ser revista caso o Brasil reduza tarifas e barreiras comerciais impostas aos EUA.
Com início de vigência previsto para 1º de agosto, a tarifa representa um entrave relevante para o comércio bilateral, afetando diretamente setores exportadores brasileiros. Enquanto isso, a Corte máxima do país, antes desdenhosa da possibilidade de retaliação, agora se vê cautelosa, optando por preservar o silêncio diante de um episódio com repercussões diplomáticas e econômicas ainda em aberto.
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