STF anula absolvição de André de Camargo Aranha e determina novo julgamento do caso Mariana Ferrer
Corte entendeu que a vítima sofreu constrangimentos e violações de direitos durante audiência realizada em 2020, comprometendo a validade do processo.

Foto: Reprodução
Resumo
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anular o processo que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro feita pela influenciadora Mariana Ferrer. Com a decisão, o caso será julgado novamente pela Justiça de Santa Catarina. O STF entendeu que houve violação dos direitos da vítima durante a audiência de instrução, marcada por ataques considerados humilhantes e pela ausência de intervenção adequada das autoridades responsáveis.
Notícias do Brasil – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anular o processo que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro contra a influenciadora Mariana Ferrer. A Corte determinou que o caso seja julgado novamente pela Justiça de Santa Catarina e afastou o juiz e o promotor que atuaram na ação original. A decisão foi baseada na avaliação de que houve violação dos direitos fundamentais da vítima durante o processo.
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, anular o processo que resultou na absolvição do empresário André de Camargo Aranha no caso envolvendo a influenciadora digital Mariana Ferrer. A decisão, tomada nesta quinta-feira (19), determina que a ação penal volte à primeira instância para um novo julgamento na Justiça de Santa Catarina.
PUBLICIDADE
Além da anulação do processo, os ministros determinaram que o juiz e o promotor responsáveis pela condução da ação original não participem da nova tramitação do caso.
O que decidiu o STF?
A Corte analisou um recurso apresentado pela defesa de Mariana Ferrer, que sustentou que a audiência de instrução realizada em 2020 comprometeu a legalidade do processo.
Os ministros entenderam que a condução da audiência não garantiu a proteção dos direitos da vítima e permitiu situações consideradas incompatíveis com os princípios constitucionais de dignidade, respeito e ampla proteção às vítimas de violência sexual.
Com a decisão, todas as etapas posteriores ao ato considerado irregular deixam de produzir efeitos, e o processo deverá ser reavaliado pela Justiça catarinense.
Por que o processo foi anulado?
O principal fundamento da decisão foi a forma como Mariana Ferrer foi tratada durante a audiência de instrução e julgamento. Na ocasião, trechos da sessão repercutiram nacionalmente após a divulgação de vídeos que mostravam ataques direcionados à vítima durante seu depoimento. Para a maioria dos ministros, houve omissão das autoridades responsáveis pela condução da audiência diante de situações consideradas ofensivas e incompatíveis com o tratamento que deve ser dispensado a vítimas de crimes sexuais. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a audiência violou direitos fundamentais e comprometeu a regularidade do processo judicial.
PUBLICIDADE
O que disseram os ministros?
Durante o julgamento, diversos integrantes do Supremo fizeram críticas à condução da audiência. O ministro Luiz Fux classificou como inaceitável a postura adotada durante a sessão processual e criticou a falta de intervenção diante das agressões verbais direcionadas à vítima. Já a ministra Cármen Lúcia destacou os impactos institucionais e sociais da revitimização de mulheres que denunciam crimes sexuais, ressaltando que situações como essa podem desencorajar vítimas a procurar a Justiça. O entendimento foi acompanhado por outros ministros da Corte, formando maioria para a anulação do processo.
O que acontece agora?
Com a decisão do STF, o caso retorna à Justiça de Santa Catarina para uma nova análise. Um novo juiz deverá conduzir o processo, que poderá incluir reavaliação de provas, depoimentos e demais elementos processuais. A decisão não representa condenação nem absolvição do acusado. O Supremo limitou-se a analisar a regularidade processual e as garantias constitucionais envolvidas na condução da ação. O mérito da acusação deverá ser novamente apreciado pela Justiça competente.
O que diz a defesa de André de Camargo Aranha?
Durante o julgamento, a defesa do empresário argumentou que a absolvição havia sido fundamentada em um conjunto probatório analisado ao longo do processo. Os advogados também destacaram que, na fase final da ação original, o próprio Ministério Público de Santa Catarina se manifestou pela absolvição do réu. A defesa sustentou que a decisão judicial anterior deveria ser mantida.
Caso teve impacto na legislação brasileira
O episódio envolvendo Mariana Ferrer gerou ampla repercussão nacional e impulsionou mudanças importantes na legislação e no sistema de Justiça. Entre os principais desdobramentos está a criação da chamada Lei Mariana Ferrer, que estabelece mecanismos para proteger vítimas e testemunhas de violência sexual durante audiências e outros atos processuais. A norma proíbe práticas que exponham a intimidade, a dignidade ou a vida privada de vítimas de crimes sexuais sem relação direta com os fatos investigados.
Além disso, o próprio STF consolidou entendimento jurídico vedando a utilização de estratégias de desqualificação pessoal de vítimas em interrogatórios e audiências judiciais.
Qual a importância da decisão?
Especialistas em direito processual apontam que o julgamento reforça o debate sobre garantias fundamentais, proteção das vítimas e limites éticos na condução de processos judiciais.
A decisão também evidencia a preocupação do Supremo em assegurar que audiências ocorram dentro dos parâmetros constitucionais de respeito, imparcialidade e proteção à dignidade humana.
O novo julgamento deverá definir os próximos desdobramentos de um dos casos mais debatidos do sistema de Justiça brasileiro nos últimos anos.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos





