STF avança em investigação sobre tentativa de golpe com depoimentos de Cid e militares
Os depoimentos fazem parte das ações penais que envolvem ex-militares, ex-assessores e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Foto: Dorivan Marinho/SCO/STF
Notícias do Brasil – O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta segunda-feira (14/7) uma nova fase nas investigações que apuram a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O tribunal ouvirá, ao longo das próximas duas semanas, dezenas de testemunhas ligadas aos chamados núcleos 2, 3 e 4 da trama golpista. Os depoimentos fazem parte das ações penais que envolvem ex-militares, ex-assessores e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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O primeiro a prestar depoimento nesta nova etapa é o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator do caso. Cid será ouvido na tarde desta segunda-feira, em audiência conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator das ações. Pela manhã, outras testemunhas arroladas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) prestarão depoimento por videoconferência.
A previsão é que até o fim de julho sejam ouvidas 178 testemunhas, entre indicadas pela PGR e pelas defesas dos réus. Os trabalhos, conduzidos por juízes auxiliares do gabinete de Moraes, serão divididos entre as turmas do STF e ocorrem em sessões públicas, com possibilidade de acompanhamento pela imprensa.
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Militares e ex-integrantes do governo no centro das investigações
O chamado núcleo 2 reúne figuras como o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, e o ex-assessor Filipe Martins, que são acusados de usar a máquina pública para dificultar a votação no segundo turno, especialmente no Nordeste. A PGR afirma que houve coordenação para tentar manter Bolsonaro no poder, com emprego indevido das forças policiais.
No núcleo 3, composto majoritariamente por militares da ativa e da reserva, as acusações envolvem reuniões secretas e até planos para assassinatos de autoridades como o presidente Lula e o ministro Alexandre de Moraes. A promotoria aponta que o grupo pretendia provocar instabilidade social para justificar uma ruptura institucional.
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Já o núcleo 4 é formado por agentes públicos e civis envolvidos em campanhas de desinformação. A atuação teria como objetivo desacreditar o sistema eleitoral e pressionar as Forças Armadas a aderirem a um plano golpista.
Apesar do número elevado de testemunhas, algumas foram vetadas por Moraes, incluindo os filhos do ex-presidente, Carlos e Eduardo Bolsonaro — ambos citados em inquéritos paralelos.
As oitivas marcam uma nova etapa nas ações penais e podem ser decisivas para o andamento dos processos que tramitam no STF. As denúncias contra os réus incluem crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa e dano ao patrimônio público.
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