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STF decide anular absolvição do acusado de estuprar Mariana Ferrer

Corte entendeu que a vítima sofreu constrangimentos e violações de direitos durante audiência realizada em 2020, comprometendo a validade do processo.

Por Beatriz Silveira

18/06/2026 às 22:04 - Atualizado em 19/06/2026 às 11:25

decisão do stf sobre andré de camargo aranha e mariana ferrer

Foto: Reprodução

Resumo

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anular o processo que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro feita pela influenciadora Mariana Ferrer. Com a decisão, o caso será julgado novamente pela Justiça de Santa Catarina. O STF entendeu que houve violação dos direitos da vítima durante a audiência de instrução, marcada por ataques considerados humilhantes e pela ausência de intervenção adequada das autoridades responsáveis.

Notícias do Brasil – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anular o processo que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro contra a influenciadora Mariana Ferrer. A Corte determinou que o caso seja julgado novamente pela Justiça de Santa Catarina e afastou o juiz e o promotor que atuaram na ação original. A decisão foi baseada na avaliação de que houve violação dos direitos fundamentais da vítima durante o processo.

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por maioria, anular o processo que resultou na absolvição do empresário André de Camargo Aranha no caso envolvendo a influenciadora digital Mariana Ferrer. A decisão, tomada nesta quinta-feira (19), determina que a ação penal volte à primeira instância para um novo julgamento na Justiça de Santa Catarina.

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Além da anulação do processo, os ministros determinaram que o juiz e o promotor responsáveis pela condução da ação original não participem da nova tramitação do caso.

O que decidiu o STF?

A Corte analisou um recurso apresentado pela defesa de Mariana Ferrer, que sustentou que a audiência de instrução realizada em 2020 comprometeu a legalidade do processo.

Os ministros entenderam que a condução da audiência não garantiu a proteção dos direitos da vítima e permitiu situações consideradas incompatíveis com os princípios constitucionais de dignidade, respeito e ampla proteção às vítimas de violência sexual.

Com a decisão, todas as etapas posteriores ao ato considerado irregular deixam de produzir efeitos, e o processo deverá ser reavaliado pela Justiça catarinense.

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Por que o processo foi anulado?

O principal fundamento da decisão foi a forma como Mariana Ferrer foi tratada durante a audiência de instrução e julgamento. Na ocasião, trechos da sessão repercutiram nacionalmente após a divulgação de vídeos que mostravam ataques direcionados à vítima durante seu depoimento. Para a maioria dos ministros, houve omissão das autoridades responsáveis pela condução da audiência diante de situações consideradas ofensivas e incompatíveis com o tratamento que deve ser dispensado a vítimas de crimes sexuais. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que a audiência violou direitos fundamentais e comprometeu a regularidade do processo judicial.

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O que disseram os ministros?

Durante o julgamento, diversos integrantes do Supremo fizeram críticas à condução da audiência. O ministro Luiz Fux classificou como inaceitável a postura adotada durante a sessão processual e criticou a falta de intervenção diante das agressões verbais direcionadas à vítima. Já a ministra Cármen Lúcia destacou os impactos institucionais e sociais da revitimização de mulheres que denunciam crimes sexuais, ressaltando que situações como essa podem desencorajar vítimas a procurar a Justiça. O entendimento foi acompanhado por outros ministros da Corte, formando maioria para a anulação do processo.

O que acontece agora?

Com a decisão do STF, o caso retorna à Justiça de Santa Catarina para uma nova análise. Um novo juiz deverá conduzir o processo, que poderá incluir reavaliação de provas, depoimentos e demais elementos processuais. A decisão não representa condenação nem absolvição do acusado. O Supremo limitou-se a analisar a regularidade processual e as garantias constitucionais envolvidas na condução da ação. O mérito da acusação deverá ser novamente apreciado pela Justiça competente.

O que diz a defesa de André de Camargo Aranha?

Durante o julgamento, a defesa do empresário argumentou que a absolvição havia sido fundamentada em um conjunto probatório analisado ao longo do processo. Os advogados também destacaram que, na fase final da ação original, o próprio Ministério Público de Santa Catarina se manifestou pela absolvição do réu. A defesa sustentou que a decisão judicial anterior deveria ser mantida.

Caso teve impacto na legislação brasileira

O episódio envolvendo Mariana Ferrer gerou ampla repercussão nacional e impulsionou mudanças importantes na legislação e no sistema de Justiça. Entre os principais desdobramentos está a criação da chamada Lei Mariana Ferrer, que estabelece mecanismos para proteger vítimas e testemunhas de violência sexual durante audiências e outros atos processuais. A norma proíbe práticas que exponham a intimidade, a dignidade ou a vida privada de vítimas de crimes sexuais sem relação direta com os fatos investigados.

Além disso, o próprio STF consolidou entendimento jurídico vedando a utilização de estratégias de desqualificação pessoal de vítimas em interrogatórios e audiências judiciais.

Qual a importância da decisão?

Especialistas em direito processual apontam que o julgamento reforça o debate sobre garantias fundamentais, proteção das vítimas e limites éticos na condução de processos judiciais.

A decisão também evidencia a preocupação do Supremo em assegurar que audiências ocorram dentro dos parâmetros constitucionais de respeito, imparcialidade e proteção à dignidade humana.

O novo julgamento deverá definir os próximos desdobramentos de um dos casos mais debatidos do sistema de Justiça brasileiro nos últimos anos.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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