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STF pode alterar regra central do Marco Civil da Internet e mudar rumos da liberdade de expressão no Brasil; entenda

O julgamento segue indefinido, e o voto do ministro André Mendonça pode se tornar decisivo.

Por AM POST

03/06/2025 às 11:03

Notícias do Brasil – O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira, 4 de junho, um julgamento que poderá redefinir a responsabilidade das plataformas digitais no Brasil e transformar o regime jurídico da liberdade de expressão na internet. Está em análise a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet, dispositivo que, desde 2014, regula a responsabilização de empresas como YouTube, Instagram, Facebook e X (antigo Twitter) por conteúdos gerados por usuários.

Atualmente, o artigo 19 estabelece que plataformas só podem ser responsabilizadas por conteúdos ilegais caso descumpram uma ordem judicial de remoção. Essa diretriz garante neutralidade da rede e protege as empresas contra punições automáticas, evitando a censura privada motivada pelo receio de sanções legais. No entanto, nenhum dos votos apresentados até agora pelos ministros do STF mantém essa lógica.

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Votos que desafiam o modelo atual
O ministro Dias Toffoli abriu divergência contundente ao propor um modelo proativo de responsabilização. Segundo ele, as plataformas devem agir sem necessidade de ordem judicial em casos que envolvam golpismo, terrorismo, racismo, violência contra grupos vulneráveis, apologia ao suicídio, tráfico de pessoas e desinformação com potencial de gerar violência ou interferir nas eleições.

Leia mais: Gilmar Mendes diz que julgamento do Marco Civil pode ser ‘esboço’ para regulação das redes sociais

Luiz Fux, por sua vez, adotou uma posição intermediária, mas igualmente rompeu com a exigência judicial. Para ele, conteúdos como discurso de ódio, pedofilia, racismo e apologia ao golpe de Estado devem ser removidos imediatamente pelas empresas, sem esperar decisão judicial.

Já o ministro Luís Roberto Barroso também defendeu atuação preventiva, propondo que conteúdos de pornografia infantil, incitação ao suicídio, tráfico de pessoas, terrorismo e tentativa de golpe de Estado sejam bloqueados pelas plataformas de forma autônoma.

A tendência dominante no plenário do Supremo indica que a maioria dos ministros deve declarar a inconstitucionalidade do artigo 19, encerrando uma era de proteção jurídica que garantiu a liberdade de expressão digital sob mediação judicial.

Voto decisivo e impactos esperados
O julgamento, no entanto, ainda está em aberto. O voto do ministro André Mendonça pode ser determinante para o desfecho do caso. Até o momento, não há consenso sobre o grau de responsabilização que será imposto às empresas tecnológicas.

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Especialistas em direito digital alertam para os riscos de uma mudança drástica sem a devida participação do Congresso Nacional. A alteração do regime jurídico via decisão judicial, sem nova legislação aprovada, pode gerar insegurança jurídica e comprometer o equilíbrio entre combate a crimes digitais e proteção à liberdade de expressão.

O que está em jogo
A eventual revogação do artigo 19 pode provocar uma reação em cadeia no ecossistema digital brasileiro. Ao obrigar as plataformas a atuarem proativamente — sob pena de responsabilização civil e até penal —, cria-se um ambiente de vigilância e autocensura. Empresas poderão remover conteúdos legítimos por precaução, afetando o livre debate de ideias, inclusive durante processos eleitorais.

A decisão do STF, caso caminhe para esse novo entendimento, deve ter efeito imediato e influenciar diretamente o ambiente digital nas eleições de 2026. Analistas políticos temem que a medida abra margem para controle excessivo de conteúdo e até para perseguições políticas, dependendo da forma como for regulamentada.

Entidades da sociedade civil e juristas defendem que mudanças tão profundas no Marco Civil da Internet, um marco legal construído com amplo debate em 2014, não deveriam ser feitas por meio de decisão judicial. A alternativa seria que o Congresso discutisse eventuais atualizações à luz das novas dinâmicas tecnológicas, mas sem comprometer garantias fundamentais como a liberdade de expressão e o devido processo legal.

Reações e próximos passos
Enquanto o julgamento segue no STF, parlamentares da oposição já articulam propostas para blindar o Marco Civil da Internet de mudanças unilaterais. Há também mobilização de organizações de tecnologia e liberdade digital, que enxergam no artigo 19 uma salvaguarda essencial contra abusos de poder.

A retomada do julgamento nesta terça-feira será acompanhada de perto por diversos setores. O que está em jogo vai além de aspectos técnicos: trata-se de definir o limite entre o necessário combate à desinformação e a preservação do espaço democrático na internet brasileira.

Se o Supremo decidir pela responsabilização ampla das plataformas, o Brasil pode se tornar um dos primeiros países democráticos a abandonar judicialização prévia como critério para remoção de conteúdo — um precedente que poderá ser seguido por outras nações, com implicações globais.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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Gretchen Stipp

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