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STJ descarta uso de inteligência artificial como prova principal em processo penal

Corte entende que relatórios gerados por IA não têm confiabilidade suficiente sem validação técnica independente

Por Arquipo Goes

10/04/2026 às 09:49 - Atualizado em 10/04/2026 às 14:53

Fachada do edifício do Superior Tribunal de Justiça em Brasília capturada em plano aberto com iluminação natural.

FOTO: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Resumo:

STJ decide que relatórios de inteligência artificial não podem ser usados como prova penal sem validação pericial. Caso envolvia acusação de injúria racial em São Paulo.

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Notícias do Brasil – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou entendimento inédito ao rejeitar o uso de relatórios produzidos por inteligência artificial como prova principal em ações penais. A decisão foi tomada pela Quinta Turma e deve servir de referência para casos semelhantes na Justiça brasileira.

O julgamento analisou uma denúncia de injúria racial envolvendo o vice-prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Marcondes. A acusação se baseava, principalmente, em um relatório elaborado com apoio de ferramentas de IA, utilizado para interpretar um vídeo com suposta ofensa.

Leia também: Eleição indireta no AM deve ocorrer em 4 de maio, define Aleam

Perícia oficial contrariou análise por IA

Antes da decisão, o material audiovisual foi submetido à perícia do Instituto de Criminalística, que não confirmou a existência do termo ofensivo no áudio. Segundo o laudo técnico, não foram identificados elementos compatíveis com a palavra mencionada pela acusação.

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Mesmo assim, o relatório gerado por inteligência artificial indicava que a expressão teria sido dita, o que levou o Ministério Público a apresentar denúncia.

Falta de validação técnica foi decisiva

Relator do caso, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca destacou que o problema não estava na forma como o documento foi obtido, mas na confiabilidade do conteúdo produzido pelas ferramentas.

Para ele, a ausência de confirmação por especialistas compromete o uso desse tipo de material em processos criminais.

“O risco de ‘alucinação’ da inteligência artificial, com informações incorretas apresentadas como verdadeiras, precisa ser considerado”, pontuou o ministro em sua decisão.

Relatório é retirado do processo

Com o entendimento, o STJ determinou a exclusão do documento dos autos. O caso deverá ser reavaliado sem considerar o material produzido por IA.

A decisão reacende o debate sobre os limites do uso de tecnologias no sistema de Justiça e reforça a necessidade de validação pericial para garantir a segurança jurídica em processos penais.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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