SUS realiza mutirão inédito de saúde da mulher em todo o país
Iniciativa do programa Agora Tem Especialistas oferece 3,8 mil implantes contraceptivos, exames e cirurgias agendadas

Resumo
O mutirão do programa Agora Tem Especialistas visa reduzir o tempo de espera por procedimentos no SUS, beneficiando mulheres com cirurgias, exames complexos e métodos contraceptivos modernos. A ação inclui logística gratuita para pacientes de 40 cidades e suporte específico para comunidades indígenas, garantindo acesso equitativo a tratamentos de alta complexidade em todas as regiões brasileiras.
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Centenas de hospitais em todas as regiões do Brasil abrem as portas neste sábado (21) e domingo (22) para uma mobilização sem precedentes voltada exclusivamente ao público feminino. A iniciativa, que integra o programa federal Agora Tem Especialistas, representa o maior esforço concentrado da história do Sistema Único de Saúde (SUS) para o atendimento especializado de mulheres, abrangendo desde exames diagnósticos até cirurgias de alta complexidade.
Dentre as frentes de atuação, destaca-se a oferta de 3,8 mil implantes de Implanon. O método contraceptivo subdérmico, conhecido pela eficácia de três anos e praticidade, era restrito ao setor privado com custos que chegam a R$ 4 mil. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a inclusão do dispositivo na rede pública simboliza uma política de inovação em saúde reprodutiva que prioriza a autonomia feminina.
Estrutura hospitalar e procedimentos oferecidos
A força-tarefa mobiliza uma rede diversificada que inclui hospitais federais, unidades universitárias da Rede Ebserh em 25 estados, Santas Casas e instituições filantrópicas. No Rio de Janeiro, centros de referência como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) participam ativamente da ação, reforçando o caráter especializado do mutirão.
O foco principal recai sobre pacientes que já estavam em lista de espera, conforme a triagem das centrais de regulação municipais. O cronograma inclui exames fundamentais como ressonâncias magnéticas, tomografias e ultrassonografias. No campo cirúrgico, as equipes realizarão procedimentos ginecológicos essenciais, como histerectomias e laqueaduras, além de reconstruções mamárias e retirada de tumores uterinos e dermatológicos.
Além das demandas ginecológicas, a mobilização contempla intervenções gerais necessárias para a qualidade de vida. Estão previstos tratamentos para varizes, cirurgias de catarata, remoção de vesícula e tratamento de hérnias. O objetivo é acelerar o diagnóstico precoce e garantir que intervenções represadas cheguem efetivamente às cidadãs.
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Logística de acesso e apoio às comunidades tradicionais
Para mitigar o absenteísmo e facilitar o deslocamento das pacientes, o Ministério da Saúde estabeleceu uma parceria estratégica com o aplicativo de mobilidade 99. Serão disponibilizados 73 mil vouchers de transporte, com valor de até R$ 150 por trecho, atendendo mulheres em 40 cidades brasileiras, incluindo 21 capitais. As secretarias locais de saúde ficam responsáveis pela distribuição dos códigos de acesso.
A estratégia também contempla recortes de equidade social e geográfica. Mulheres indígenas residentes em áreas remotas contarão com suporte de transporte e hospedagem nas Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casais). A rede Ebserh, em cidades como Manaus (AM), Boa Vista (RR) e Cuiabá (MT), servirá como ponto de apoio centralizado para garantir que o cuidado humanizado respeite as particularidades culturais e territoriais desses povos.
O programa Agora Tem Especialistas, sob o qual o mutirão se sustenta, busca reformular a eficiência do SUS através de carretas móveis, parcerias com o setor privado para abatimento de dívidas federais e a expansão da formação de médicos especialistas. Com mais de 127 mil procedimentos realizados nas primeiras edições de 2025, o projeto foca agora em consolidar a redução das filas de espera em todo o território nacional.
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