Tarifa da China sobre carne brasileira já provoca férias coletivas em frigoríficos e ameaça exportações
Medida protecionista do governo chinês elevou para 67% a tributação sobre parte das exportações de carne bovina do Brasil.
- Foto: Canva
Resumo
- O que mudou: A China passou a cobrar tarifa de até 67% sobre carne bovina brasileira exportada acima da cota anual.
- Impacto imediato: Frigoríficos já anunciaram férias coletivas e redução da produção.
- Por que isso acontece: O governo chinês busca proteger seus produtores locais da concorrência estrangeira.
- O que o Brasil faz: O governo negocia com Pequim a ampliação da cota para os próximos anos.
Notícias do Brasil – Desde 1º de janeiro de 2026, a China adotou uma medida de salvaguarda comercial que limita as exportações brasileiras de carne bovina com tarifa reduzida. Até um volume anual de 1,106 milhão de toneladas, as exportações brasileiras pagam apenas a tarifa regular de 12%. Quando esse limite é ultrapassado, entra em vigor uma sobretaxa de 55%, elevando a tributação total para 67%, percentual considerado inviável pelo setor frigorífico para manter a competitividade.
A medida foi anunciada pelo Ministério do Comércio da China no fim de 2025 após solicitação da Associação Chinesa de Agricultura Animal.
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Por que a nova tarifa preocupa o setor de carnes
O principal problema é que a cota estabelecida pela China ficou abaixo do volume normalmente exportado pelo Brasil.
Em 2025, o país vendeu aproximadamente:
- 1,68 milhão de toneladas de carne bovina para a China;
- volume cerca de 35% superior ao teto permitido para 2026.
Segundo análises do mercado, até o fim de junho o Brasil já havia utilizado cerca de 98,5% da cota anual, o que deve esgotar completamente o limite durante o mês de agosto.
Na prática, parte das exportações deixará de ser competitiva até a abertura da nova cota, prevista apenas para 2027.
Quais são os impactos para os frigoríficos
Com menor espaço para exportar ao principal comprador da carne brasileira, diversas empresas já iniciaram ajustes na produção.
Entre as medidas adotadas estão:
- férias coletivas;
- redução de turnos de abate;
- diminuição do ritmo de processamento;
- reorganização das exportações para outros mercados.
Estados com grande concentração de plantas habilitadas para exportação à China, como Mato Grosso, estão entre os mais afetados.
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A carne pode ficar mais barata no Brasil
Parte da produção que deixará de ser exportada deverá permanecer no mercado interno. Esse aumento da oferta pode pressionar os preços no atacado e reduzir o valor pago pela arroba do boi gordo aos pecuaristas. Especialistas avaliam, porém, que esse efeito nem sempre chega integralmente ao consumidor final, já que existem custos de distribuição, logística e comercialização que influenciam o preço da carne nos supermercados.
O governo brasileiro negocia mudanças
O governo federal iniciou negociações com as autoridades chinesas para ampliar a cota brasileira a partir de 2027.
Entre as medidas discutidas estão:
- aumento do volume isento da sobretaxa;
- habilitação de novos frigoríficos brasileiros;
- ampliação do acesso ao mercado chinês.
Recentemente, a China também retirou restrições que impediam três frigoríficos brasileiros de exportar desde março de 2025, gesto interpretado como sinal de abertura ao diálogo.
Por que a China adotou essa medida
Segundo o governo chinês, a salvaguarda comercial foi criada para proteger os produtores locais diante do crescimento das importações de carne bovina. O mecanismo funciona de forma semelhante às barreiras comerciais utilizadas por outros países para defender setores considerados estratégicos da economia.
Embora menos divulgada internacionalmente, a medida representa uma política de proteção ao mercado interno chinês e poderá permanecer em vigor até 2028.
Qual pode ser o impacto para o Amazonas
Embora o Amazonas não seja um dos principais exportadores de carne bovina do país, a desaceleração do setor pode provocar reflexos indiretos na cadeia nacional da pecuária, afetando preços pagos aos produtores, investimentos no setor frigorífico e a dinâmica do mercado interno.
Além disso, qualquer redução nas exportações brasileiras influencia a balança comercial do agronegócio, um dos principais motores da economia nacional.
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