TCE-PE suspende concurso após aprovação de candidata investigada por fraudes em certames públicos
A medida foi tomada após a divulgação da lista de aprovados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
- Arte/Metrópoles
Notícias do Brasil – O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) anunciou, nesta terça-feira (7/10), a suspensão temporária do concurso público para o cargo de analista de controle externo, após a aprovação de Laís Giselly Nunes de Araújo, de 31 anos, investigada pela Polícia Federal (PF) por envolvimento em um esquema de fraudes em concursos públicos no país.
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Em nota oficial, o órgão informou que “até que todos os fatos estejam devidamente esclarecidos, ficam suspensos todos os atos pertinentes ao concurso”. A medida foi tomada após a divulgação da lista de aprovados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), responsável pela organização do certame.
“Diante dos fatos revelados por inquérito da PF e veiculados na imprensa sobre fraudes em concursos públicos em nível nacional e estadual, o TCE-PE e a FGV informam que já estão tomando todas as providências cabíveis junto às autoridades policiais e judiciárias para proteger a integridade do certame”, destacou o comunicado.
O Tribunal reforçou ainda seu compromisso com a transparência e a lisura dos processos públicos. “Como instituição de controle externo, que tem o dever constitucional de zelar pela regularidade das admissões de pessoal da gestão pública, o TCE-PE será intransigente na defesa da lei, da meritocracia e do interesse público, quaisquer que sejam as medidas jurídicas que o caso exija”, concluiu.
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Quem é a “candidata gênio”
Conhecida por acumular diversas aprovações em concursos e vestibulares, Laís Giselly é apontada pela PF como participante de uma organização criminosa especializada em fraudes em certames públicos. Ela já havia sido aprovada em Medicina e Direito em universidades federais, além de ter conquistado vagas de assistente administrativo e auditor fiscal do trabalho pelo Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024.
De acordo com as investigações, essas conquistas seriam “estatisticamente improváveis” e obtidas por meios ilícitos. O gabarito da candidata foi idêntico ao de Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar e apontado como líder do grupo criminoso responsável por vender aprovações em concursos federais e estaduais.
Envolvimento familiar
A PF também identificou que a mãe de Laís, Erika de Matos Nunes, fazia parte da rede criminosa, atuando como captadora de candidatos. Ela é enfermeira e trabalhava no Hospital da Beneficência Portuguesa do Recife.
Wanderlan Limeira, líder do esquema, teria usado o mesmo método para beneficiar familiares — entre eles, filhos, irmãos e sobrinhos —, todos aprovados de forma suspeita em cargos de alto prestígio. O ex-PM e o irmão obtiveram o mesmo número de acertos e erraram as mesmas questões em provas aplicadas em turnos diferentes, o que levou à descoberta da fraude após denúncia anônima.
A PF segue investigando o caso e deve apresentar novos desdobramentos nas próximas semanas.
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