Toffoli confirma sociedade em empresa que negociou com parente de Vorcaro
Segundo o comunicado, Toffoli participou da empresa Maridt como cotista, tendo recebido dividendos, mas sem exercer função administrativa.
- Foto: STF
Resumo
O ministro do STF Dias Toffoli admitiu ter sido sócio de uma empresa que realizou negociação imobiliária com o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master. O magistrado afirmou que recebeu dividendos como cotista, negou amizade com Vorcaro e declarou que as operações ocorreram antes de assumir a relatoria do processo no Supremo.
Notícias do Brasil – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli confirmou nesta quinta-feira (12) que integrou o quadro societário de uma empresa que realizou operação imobiliária com Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em nota divulgada por seu gabinete, o magistrado negou ter recebido qualquer valor do banqueiro e afirmou que não mantém relação de amizade com ele.
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Operação ocorreu antes da relatoria
Segundo o comunicado, Toffoli participou da empresa Maridt como cotista, tendo recebido dividendos, mas sem exercer função administrativa. Ele ressaltou que a negociação imobiliária aconteceu meses antes de assumir a relatoria do caso Master no STF.
O ministro destacou que a Lei Orgânica da Magistratura permite que magistrados integrem o quadro societário de empresas e recebam dividendos, desde que não pratiquem atos de gestão.
Relatório da Polícia Federal
A manifestação ocorre após a Polícia Federal encaminhar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, relatório mencionando que o nome de Toffoli aparece em mensagens extraídas do celular de Vorcaro, alvo de quebra de sigilo.
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De acordo com fontes, o documento da PF possui cerca de 180 páginas e inclui registros de conversas que citariam pagamentos a empresa ligada ao ministro, além de convites para eventos sociais. A íntegra do relatório também foi enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que avaliará se adotará alguma medida.
Embora o relatório mencione elementos que poderiam indicar possível suspeição, a PF não formalizou pedido de afastamento do ministro.
Resort de luxo e encerramento de participação
A empresa familiar Maridt integrava o grupo Tayayá Ribeirão Claro, resort de luxo localizado no interior de São Paulo, até fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: venda de cotas ao Fundo Arllen, em setembro de 2021, e posterior alienação do saldo remanescente à PHD Holding, em fevereiro de 2025.
Toffoli afirmou que todas as operações foram devidamente declaradas à Receita Federal e realizadas a valor de mercado. Ele também declarou desconhecer o gestor do Fundo Arllen.
Permanência na relatoria
O ministro destacou que a ação envolvendo a compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao seu gabinete em 28 de novembro de 2025, quando a empresa Maridt já não integrava o grupo ligado ao resort.
Nos bastidores do Supremo, a situação vem sendo acompanhada por outros ministros. O presidente da Corte, Edson Fachin, conversou com o decano Gilmar Mendes, que já havia se manifestado publicamente em defesa da atuação de Toffoli.
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