Urgente: PGR denuncia ex-presidente Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado
A denúncia será analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se aceita ou não as acusações e encaminha o caso para o julgamento.
- Foto: Sérgio Lima
A Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou, nesta terça-feira, 19 de fevereiro, a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas por envolvimento em um plano golpista, que visava desestabilizar o processo democrático no Brasil. A denúncia será analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que decidirá se aceita ou não as acusações e encaminha o caso para o julgamento.
De acordo com a PGR, Bolsonaro foi acusado de liderar a cúpula golpista no Palácio do Planalto. A Polícia Federal já havia identificado o ex-presidente como um dos principais articuladores do plano, que visava a contestação das eleições e a tentativa de descredibilizar o sistema eleitoral brasileiro. Os investigadores alegam que Bolsonaro teve conhecimento e deu anuência para as ações de um grupo de mais de 40 pessoas que se envolveram diretamente na trama.
O caso é parte de uma investigação mais ampla que envolve outras figuras-chave, como ex-ministros de seu governo, incluindo Walter Braga Netto, que foi ministro da Casa Civil e da Defesa, e Augusto Heleno, que chefiou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). A participação de ambos no esquema é detalhada na denúncia, embora suas defesas ainda não tenham sido encontradas para se manifestar.
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O plano golpista, segundo as investigações, foi executado por um núcleo que operava em diversas frentes. Entre as ações do grupo estavam a tentativa de incitar as Forças Armadas a intervir nas eleições e um esforço para desacreditar a integridade do sistema eleitoral do Brasil. Parte fundamental dessa trama foi a minuta do golpe, um documento preparado para ser apresentado às chefias militares, que foi trazido à tona em uma reunião realizada no Palácio do Alvorada no dia 7 de dezembro de 2022.
Durante essa reunião, o então chefe do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, se recusou a apoiar a ação golpista, mas, de acordo com os relatos, o almirante Almir Garnier, comandante da Marinha, se alinhou ao plano, incluindo a ideia de acionar a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para justificar uma intervenção militar. Este mesmo documento foi encontrado na residência do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que também está entre os indiciados pela Polícia Federal.
Com a denúncia apresentada pela PGR, o caso agora será encaminhado ao STF, que decidirá se aceita o pedido do procurador-geral, Paulo Gonet, para que Bolsonaro e os outros acusados se tornem réus no processo. O Supremo Tribunal Federal tem a responsabilidade de dar andamento ao caso, com a Primeira Turma da Corte sendo a responsável pela análise inicial. Caso o processo seja aceito, ele poderá ser encaminhado ao julgamento definitivo, após a apresentação de defesas e provas por parte dos réus.
Ainda não há um prazo definido para o julgamento, mas fontes dentro do STF indicam que o caso de Bolsonaro deverá ser analisado neste ano. A grande dúvida que paira sobre o processo é se ele será decidido pela Primeira Turma, liderada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, ou se será encaminhado ao plenário da Suprema Corte. O ministro Moraes tem sido um dos principais protagonistas na análise de casos envolvendo a integridade do processo eleitoral e questões relacionadas à segurança nacional.
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A denúncia feita pela PGR, além de ser um marco importante para as investigações sobre o golpismo, reforça a seriedade das acusações contra Bolsonaro e seus aliados. A cúpula golpista, conforme a denúncia, não se limitou a ações de bastidores, mas procurou ativamente envolver diversas instituições, incluindo as Forças Armadas, em um plano que visava reverter o resultado das eleições de 2022.
A tramitação do caso deve gerar debates acalorados e terá repercussões significativas na política nacional, com implicações para o futuro de Bolsonaro e das figuras associadas à sua administração. A decisão do STF será um ponto crucial para o desenrolar do processo e determinará se os envolvidos terão que enfrentar um julgamento completo, o que pode resultar em punições severas, caso sejam condenados.
Veja quem são os denunciados
Dentre os denunciados por tentativa de golpe de Estado estão:
Alexandre Rodrigues Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin e deputado federal
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marina
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
Anderson Gustavo Torres, ex-ministro da Justiça
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
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Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
Mauro César Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
Walter Souza Braga Netto
Crimes: Golpe de Estado, Abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Organização Criminosa.
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