Venezuelanos interiorizados são mais satisfeitos e têm maior renda
Pesquisa avaliou a situação de imigrantes fora das capitais do Brasil.
- Foto: Marcelo Camargo
Um levantamento realizado pelo Instituto Pólis Pesquisa revelou que as famílias de refugiados migrantes venezuelanos que participaram do Projeto Acolhidos por Meio do Trabalho, iniciativa de interiorização implementada pela Associação Voluntários para o Serviço Internacional Brasil (AVSI Brasil) e pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), têm oito vezes mais chances de atingirem a autossuficiência econômica.
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O estudo foi conduzido entre agosto e novembro, abrangendo tanto a população de refugiados em Boa Vista (RR) quanto as famílias que foram interiorizadas para outras partes do Brasil após conquistarem empregos. A pesquisa identificou 59 famílias que já haviam participado do mesmo levantamento em 2021.
Os resultados indicam que, após a interiorização, essas famílias apresentaram maior satisfação em diversas áreas, incluindo a qualidade da moradia, a escola dos filhos, a mobilidade urbana e o acesso à internet. Além disso, 65,8% dos respondentes que se deslocaram de Roraima para outras regiões do Brasil estão atualmente empregados com carteira assinada.
O Projeto Acolhidos por Meio do Trabalho é financiado pelo Departamento de População, Refugiados e Migração (PRM) do governo dos Estados Unidos. Ele tem como objetivo não apenas oferecer oportunidades de trabalho aos refugiados venezuelanos mas também proporcionar uma transição bem-sucedida para a autossuficiência econômica.
O perfil dos beneficiados pelo projeto é predominantemente feminino, com 55,1% de mulheres migrantes. A maioria está na faixa etária ativa para o trabalho, sendo que 21,1% têm de 18 a 24 anos, 52,5% têm de 25 a 39 anos e 23,2% têm de 40 a 59 anos. Quanto à escolaridade, 23% concluíram o ensino fundamental, 53,3% terminaram o ensino médio, 13,6% fizeram o ensino técnico, e 10,1% têm educação superior.
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O rendimento médio das famílias interiorizadas é de R$ 3.212, cinco vezes maior do que a renda familiar daqueles que permanecem em Roraima (R$ 621). A renda média per capita das famílias interiorizadas é de R$ 894, enquanto para os não interiorizados é de R$ 157, representando uma variação de 469%.
Além do impacto econômico positivo, o projeto também busca melhorar as condições de saúde dos migrantes venezuelanos, que muitas vezes buscam tratamento no Brasil, especialmente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde 2018, as estratégias de realocação voluntária de migrantes venezuelanos já beneficiaram mais de 100 mil pessoas, representando quase um quarto dos 425 mil venezuelanos que vivem no Brasil, segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

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