Vídeo: Policiais e indígenas entram em confronto durante protesto em frente ao Congresso Nacional

Seguranças usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar grupo; manifestantes atiraram flechas.

Redação AM POST

Indígenas e policiais militares e legislativos entraram em confronto em frente ao Anexo II da Câmara dos Deputados, em Brasília, no início da tarde desta terça-feira (22), durante uma manifestação contra a possível votação do Projeto de Lei (PL) 490/2007, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O texto prevê, entre outras medidas, a criação de um marco temporal para delimitar o que são terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas.

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Pelo menos três pessoas ficaram feridas. Um policial foi atingido na perna por uma flecha e um outro servidor administrativo foi atingido no tórax. Ambos foram levados pelo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para atendimento e passam bem.

De acordo com militantes, o grupo pretendia se concentrar em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas foram interrompidos em frente à Câmara dos Deputados.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar os manifestantes. Já os indígenas atiraram flechas contra os seguranças.

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Esta não é a primeira manifestação registrada no centro do poder em Brasília. No último dia 8, indígenas de cinco etnias realizaram uma manifestação no Congresso Nacional contra a aprovação do Projeto de Lei 490, proposta do governo que liberaria mineração comercial e agricultura em terras indígenas.

Por conta da confusão, a sessão da CCJ desta terça foi suspensa. Na pauta estava o PL 490, que é uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

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Críticos da matéria argumentam que o texto ultrapassa os limites de um regulamento e tenta mudar preceitos da Constituição por meio de lei ordinária. Entidades ligadas aos direitos dos indígenas também afirmam que a Constituição funciona retroativamente, o que resguarda os direitos territoriais violados antes de 1988. Já os defensores do projeto afirmam que ele apenas pretende dar “segurança jurídica” aos agropecuaristas.

Confira a íntegra da nota da Câmara Legislativa sobre a confusão:

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“Por volta das 12h30 desta terça-feira, cerca de 500 indígenas, em sua maioria armados com flechas e tacapes, tentou invadir o Anexo II da Câmara dos Deputados. De início, eles derrubaram os gradis da entrada do edifício e os arremessaram contra os policiais legislativos.

Logo depois, várias flechas foram disparadas contra os policiais, ainda na tentativa de invasão do anexo. Os policiais legislativos repeliram os indígenas com bombas de efeito moral, gás de pimenta e gás lacrimogêneo. Não houve disparo de tiros ou qualquer tipo de agressão física contra os manifestantes.

Um policial legislativo foi atingido na perna por uma flecha e um servidor da área administrativa da Polícia Legislativa foi flechado no tórax. Ambos foram transferidos para um hospital privado do Distrito Federal.

Um policial militar foi flechado no pé, mas já foi atendido no Departamento Médico da Câmara e passa bem. O Anexo II da Câmara não foi ocupado. A situação está calma no momento e os indígenas não estão mais no local.”

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