Morre Gil Gomes aos 78 anos: estilo hábil e dramático marcou história da TV
Em estado avançado do mal de Parkinson, ele passou mal em casa e foi levado ao Hospital São Paulo, na zona sul paulistana, onde não resistiu.
Com seu estilo único de narrar um crime nas telas, fruto de seu gigante carisma e habilidade com as palavras simples, Gil Gomes, que morreu em decorrência de um câncer nesta terça (16), aos 78 anos, deixa seu nome cravado na história da televisão e do jornalismo brasileiros.
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O paulistano da Mooca, onde nasceu em 30 de junho de 1940, sabia como poucos contar um fato, reforçando
elementos trágicos e de suspense a cada reportagem que fazia.
O auge do rádio no Brasil, com seus grandes locutores e cronistas policiais, foi sua maior escola. Afinal, foi ouvindo
grandes comunicadores do veículo, alvos de imitação, que ele conseguiu superar um dolorido trauma de infância: a
gagueira.
Logo, o treino deu certo e ele ganhou oportunidades de demonstrar publicamente sua voz, fazendo locuções de
quermesses, onde logo se destacou.
Profissionalmente, começou assim que atingiu a maioridade: aos 18 anos, na Rádio Progresso, narrando jogos de
futebol.
A partir de então, foi se aperfeiçoando, até que, em 1968, criou aquela locução única de repórter policial ao cobrir a vivo um caso de agressão sexual que foi recorde de público na Rádio Marconi. Os ouvintes não só aprovaram como gostaram.
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Como jornalista, enfrentou censura e até prisões por conta de reportagens que desagradavam poderosos no contexto
da ditadura militar. Em 1991, teve a grande chance: foi convidado pelo SBT para integrar o noticiário “Aqui Agora”, com o qual Silvio Santos renovou e popularizou seu jornalismo.
Logo, com suas camisas chamativas, sua voz inigualável e seu gestual específico, tornou-se rosto conhecido e amado
pelo grande público em todo o Brasil.
Seu estilo dramático, com suas profundas pausas, conquistaram os telespectadores e suas reportagens tornaram-se sucesso de audiência, com sua assinatura inconfundível ao fim de cada matéria: “Gil Gomes, Aqui Agora”. Gil Gomes virou obsessão de humoristas, que faziam de tudo para imitá-lo, o que o tornou ainda mais famoso. Os anos
1990 foram seu auge.
Nos últimos anos, o jornalista e comunicador lutou bravamente contra o mal de Parkinson. Sua última grande aparição na TV foi em 2014, quando, já doente, concedeu emocionante entrevista a Geraldo Luís, no “Domingo Show” da Record, na qual repassou os momentos mais marcantes de sua brilhante carreira.
Com seu jeito hábil e cativante de explorar todas as nuances de um fato, Gil Gomes escreveu seu nome na história do
jornalismo e da televisão no Brasil.
Fonte: UOL
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