Defesa diz ter vídeo inédito que pode reabrir Caso Djidja e coloca atuação da Polícia Civil em xeque
Defesa de mãe e irmão da ex-sinhazinha do Garantido denuncia supostas irregularidades em operação no salão Belle Femme, em Manaus.
- Foto: Reprodução
Notícias do caso Djidja – Um vídeo inédito foi apresentado nesta semana pela defesa de Cleusimar e Ademar Cardoso — mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso — e promete provocar uma reviravolta na sentença que os condenou por tráfico de drogas e associação ao tráfico.
As imagens, gravadas por câmeras de segurança do salão Belle Femme, de propriedade da família, mostram o momento em que policiais civis cumprem mandado de busca e apreensão no estabelecimento, localizado no bairro Cidade Nova, zona norte de Manaus, logo após a morte de Djidja em 2024. Segundo os advogados, o conteúdo expõe supostas irregularidades na conduta dos agentes da Polícia Civil, especialmente no momento em que a caixa geral de energia elétrica é desligada durante a operação.
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“Se havia um mandado judicial, por que não manter a gravação ativa? Esse registro seria o respaldo mais legítimo da ação policial”, questionou o advogado Luke Pacheco, que representa a família Cardoso. Para ele, o ato compromete a transparência da operação e levanta suspeitas sobre a integridade das provas reunidas.
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Suposta falha processual
A defesa também aponta outras inconsistências no processo judicial que resultou na condenação de Cleusimar e Ademar. Um dos principais questionamentos refere-se à demora na inclusão dos laudos toxicológicos no processo. Apesar de concluídos em junho de 2024, os documentos só foram anexados aos autos em novembro, semanas antes da publicação da sentença.
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O teor dos laudos também é usado como argumento pela defesa para contestar a tipificação penal dos réus. Segundo Pacheco, os exames indicam a presença de apenas 11 ml de substância ilícita, volume que, de acordo com a legislação e jurisprudência atual, poderia ser enquadrado como uso pessoal, e não tráfico.
“É uma condenação desproporcional e desconectada da realidade do processo. O volume de droga encontrado é irrisório para caracterizar tráfico. Com essa nova prova audiovisual, esperamos que a Justiça possa rever a decisão com isenção e responsabilidade”, afirma o advogado.
Caso de grande repercussão
O Caso Djidja Cardoso ganhou projeção nacional após a morte repentina da ex-sinhazinha do Garantido, em maio de 2024, e a posterior revelação de um suposto esquema de tráfico de drogas disfarçado sob atividades do salão de beleza da família. A Polícia Civil alegou na época que o local era utilizado como ponto de distribuição de cetamina, que é uma substância que pode causar alucinações e dependência, em rituais com conotação religiosa.
A repercussão levou à prisão de familiares e funcionários próximos de Djidja, todos acusados de integrar uma organização criminosa. O julgamento resultou em penas severas para Cleusimar e Ademar Cardoso.
Com a apresentação do vídeo e a promessa de novas petições à Justiça, os advogados agora buscam a reanálise do caso nas instâncias superiores. O material audiovisual já foi protocolado no processo e deve ser avaliado nas próximas semanas.
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