Crítica ao filme Nosferatu: um terror que não assombra
O filme se perde em uma narrativa frágil e escolhas questionáveis.

Crítica ao filme Nosferatu- Foto: divulgação
Cinema – Com uma ambientação deslumbrante e cenários góticos que capturam o olhar, Nosferatu, de Robert Eggers, promete mais do que entrega. A estética impressionante, marca registrada do diretor, é inegável, mas o filme se perde em uma narrativa frágil, escolhas questionáveis e personagens que, mesmo com um elenco estelar, não conseguem brilhar.
Trailer do filme Nosferatu
Ellen e Nosferatu: Superficialidade em Foco
Lily-Rose Depp, no papel de Ellen Hutter, entrega uma atuação exagerada e hipersexualizada que reduz sua personagem a um objeto de desejo. Ellen parece existir apenas para ser caçada pelo vampiro, Nosferatu (Bill Skarsgård), um predador obcecado que troca o terror sobrenatural por uma perseguição monótona e carregada de tons sexuais. O próprio Nosferatu decepciona: seu figurino, longe de inspirar medo, lembra um astro do rock decadente, e sua caracterização como um vampiro “tarado” enfraquece a aura de ameaça que o personagem deveria carregar. A química entre os dois, que poderia sustentar o filme, acaba soterrada por essa dinâmica superficial.
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Os Secundários: Talento sem Propósito
Os personagens secundários, apesar de interpretados por atores talentosos, não escapam do vazio narrativo. Thomas Hutter (Nicholas Hoult), o marido de Ellen, tem momentos de desespero que sugerem profundidade, mas sua jornada é subaproveitada, servindo mais como um dispositivo de trama do que como um personagem completo. Herr Knock (Simon McBurney), o chefe perturbado de Thomas e servo de Orlok, traz uma intensidade inquietante, mas sua loucura é explorada de forma rasa, quase caricata. O Professor Albin Eberhart Von Franz (Willem Dafoe), um excêntrico estudioso do sobrenatural, e seu aliado Dr. Wilhelm Sievers (Ralph Ineson) formam uma dupla promissora — com Dafoe injetando peso dramático e Ineson uma presença austera —, mas suas investigações sobre o vampiro raramente avançam além de exposições genéricas, sem impacto real na trama.
Friedrich e Anna: Presenças Decorativas
Friedrich Harding (Aaron Taylor-Johnson) e sua esposa Anna Harding (Emma Corrin), amigos do casal protagonista, também sofrem com a falta de propósito. Apesar de Eggers prometer que Friedrich mostraria “sua verdadeira valia” e de Corrin trazer uma sensibilidade marcante, ambos ficam à margem da história, relegados a papéis decorativos que não justificam o talento envolvido. As grandes interpretações do elenco — Hoult com sua vulnerabilidade, Dafoe com seu carisma excêntrico, Taylor-Johnson com sua energia — são desperdiçadas em personagens que, embora mais desenvolvidos do que no original de 1922, ainda carecem de arcos consistentes ou relevância emocional.
Nosferatu tinha tudo para ser um marco do horror gótico: uma direção visualmente impecável, um elenco de peso e uma premissa clássica revisitada com ousadia. No entanto, o foco desequilibrado em uma Ellen hipersexualizada e um vampiro unidimensional sufoca o potencial dos secundários e da trama como um todo. O resultado é uma obra que impressiona os olhos, mas deixa o coração e a mente indiferentes — um exercício estético que não sustenta sua ambição.
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