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Crítica: Jogos Vorazes – A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

Prelúdio aposta no talento do diretor para dar fôlego a uma história exausta e marcada pelo peso do passado

Por michael

04/08/2025 às 13:49 - Atualizado em 04/08/2025 às 13:50

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes

Crítica: Jogos Vorazes – A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Foto: reprodução do Instagram

Cinema – Em uma era dominada por continuações, prequels e spin-offs, questionar se um filme “precisava” existir tornou-se quase um ritual da crítica cultural. Mas, como lembra o próprio autor da crítica, essa exigência de necessidade pode estar esvaziando o sentido da arte. “A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes”, novo capítulo da franquia Jogos Vorazes, não escapa dessa armadilha. Ainda que não fosse requisitado ou essencial, o longa se justifica por um único nome: Francis Lawrence.

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A assinatura estética de Francis Lawrence

Desde Em Chamas, Lawrence assumiu as rédeas da franquia com um olhar apurado para a grandiosidade visual e a expressividade cinematográfica. Ao contrário de outros diretores de sagas, seu trabalho em A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes se destaca pela capacidade de transformar um roteiro saturado em um espetáculo visual. É nas mãos dele que cenas como a de Coriolanus Snow, rifle em punho, ganham potência simbólica, um retrato da violência, do privilégio e da estrutura social que molda o personagem.

O dilema de Snow e a origem do poder

Ao construir a trajetória de Snow, Lawrence subverte a narrativa previsível do vilão pré-determinado. O protagonista não nasce um tirano: ele é moldado por um sistema que recompensa o poder e penaliza a vulnerabilidade. O diretor não filma traições como tragédias românticas, mas como confirmações sociais de um destino imposto. O romance com Lucy Gray não sobrevive porque, desde o início, os papéis sociais já estavam dados, ela, uma tributo pobre; ele, um herdeiro da Capital.

O esforço estético versus o cansaço narrativo

Mesmo com a força visual de Lawrence e a competência de um elenco que inclui Peter Dinklage e Viola Davis, o filme não escapa do cansaço. Suas quase 2h40 são longas demais para uma história que patina no terceiro ato, abandona personagens promissores e recai em repetições ideológicas. A tentativa de atualizar o discurso sombrio e distópico de Jogos Vorazes falha diante de um roteiro preso ao passado e pouco disposto a dialogar com as inquietações atuais.

Quando o espetáculo vale o ingresso

Segundo o Portal Omelete, é nos momentos em que Lawrence encontra algo que o inspira que o filme respira. Seu olhar por trás das câmeras é o que justifica a ida ao cinema. Se a franquia ensinou algo ao público, foi isso: sem espetáculo, não há Jogos Vorazes. E aqui, mesmo que brevemente, o espetáculo acontece.

Veja também: Crítica: Lilo & Stitch (2025) – Um remake com coração, mas sem a magia do original

Por: Mayara Leite -Estudante de jornalismo.

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