Crítica: Lilo & Stitch (2025) – Um remake com coração, mas sem a magia do original
Remake emociona, mas não supera o original.

Foto: Divulgação
Cinema – O live-action de Lilo & Stitch, lançado em 23 de maio de 2025, chega aos cinemas com a difícil tarefa de recriar a magia de um dos filmes mais queridos da Disney, o clássico animado de 2002. Dirigido por Dean Fleischer Camp, conhecido pelo encantador Marcel the Shell with Shoes On, o filme tenta equilibrar fidelidade ao original com toques modernos, mas acaba tropeçando em sua própria ambição. Embora tenha momentos de emoção genuína e um elenco carismático, esta nova versão não consegue capturar a energia vibrante e a originalidade que tornaram o filme de Chris Sanders e Dean DeBlois um marco cultural.
Uma história familiar com novos contornos
A trama segue de perto o original: Lilo (Maia Kealoha), uma garota havaiana de seis anos que enfrenta a perda dos pais e a dificuldade de se encaixar, adota Stitch (dublado por Chris Sanders), um alienígena fugitivo que se passa por um cachorro. Enquanto Lilo e sua irmã mais velha, Nani (Sydney Elizebeth Agudong), lutam para manter a família unida sob a vigilância de uma assistente social (Tia Carrere), Stitch traz caos e, eventualmente, união à sua vida. A perseguição de Stitch por Jumba (Zach Galifianakis) e Pleakley (Billy Magnussen) adiciona o elemento cômico de ficção científica, mas com alterações significativas em relação ao original.
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Um dos pontos altos do remake é o foco ampliado na relação entre Lilo e Nani. O roteiro de Chris Kekaniokalani Bright e Mike Van Waes dá mais profundidade à Nani, explorando seus sonhos e conflitos como uma jovem de 18 anos sobrecarregada pela responsabilidade de cuidar da irmã. Sydney Agudong entrega uma atuação convincente, transmitindo o equilíbrio entre amor e frustração que define a dinâmica entre as irmãs. Maia Kealoha, em sua estreia no cinema, traz carisma e energia para Lilo, embora sua interpretação pareça, em alguns momentos, mais polida do que a rebeldia excêntrica da Lilo animada, o que suaviza o impacto de sua personalidade única.
Acertos e nostalgia
O filme acerta ao preservar o tema central de ohana – a ideia havaiana de família que inclui laços de sangue e escolhidos. A inclusão de novos personagens, como Tutu (Amy Hill), uma vizinha calorosa que atua como uma figura avoada, reforça a mensagem de comunidade e apoio mútuo. A trilha sonora também é um destaque, trazendo de volta clássicos como “Aloha ʻOe”, interpretado por Kealoha e Agudong em um momento emocionante, além de uma nova versão de “Hawaiian Roller Coaster Ride” com Iam Tongi e o Kamehameha Schools Children’s Chorus. Esses elementos culturais, combinados com a ambientação filmada em Oʻahu, garantem um toque autêntico que ressoa com o espírito do original.
A volta de Chris Sanders como a voz de Stitch é um trunfo. Sua performance mantém a essência caótica e adorável do personagem, e o design CGI de Stitch, embora mais peludo do que no original, é bem executado, com expressões que capturam seu charme único. Billy Magnussen também brilha como Pleakley, injetando humor com seus figurinos excêntricos e uma energia cômica que compensa a ausência do icônico travestismo do personagem animado.
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Onde o remake falha
Apesar dos méritos, o live-action de Lilo & Stitch sofre com uma falta de ousadia e identidade visual. A cinematografia é descrita como “esquecível” e “pedestre”, carecendo da vibrante estética aquarelada que fez do original um tributo visual ao Havaí. A decisão de filmar em luz natural ampla e composições genéricas dá ao filme uma sensação de produção barata, mais próxima de um especial do Disney Channel do que de um blockbuster de cinema.
Mudanças na narrativa também geram controvérácias. A remoção de Gantu, o vilão icônico do original, em favor de Jumba como antagonista principal é uma escolha questionável. Jumba, interpretado com entusiasmo por Zach Galifianakis, perde a complexidade de um cientista excêntrico com um arco de redenção, tornando-se um vilão mais unidimensional. Essa alteração, segundo o diretor Fleischer Camp, visa reforçar a conexão pessoal com Stitch, mas acaba sacrificando a profundidade do personagem e privando os fãs de ver Gantu em live-action.
Além disso, o final controverso, onde Nani considera ceder a guarda de Lilo para Tutu a fim de perseguir seus sonhos, desvia-se do espírito de ohana do original, onde a família permanece unida a todo custo. Essa mudança, embora destinada a modernizar a história, foi criticada por fãs como uma traição ao tema central, enfraquecendo a conexão emocional entre Nani, Lilo e Stitch.
Um remake divisivo
As críticas iniciais refletem a recepção mista do filme. Com 73% de aprovação no Rotten Tomatoes, Lilo & Stitch é elogiado por sua fidelidade emocional e pelo elenco, mas criticado por não justificar sua existência frente ao original. Alguns o consideram “o melhor remake live-action da Disney até agora” devido à sua sinceridade e coração, enquanto outros o veem como “desnecessário” e “sem alma”, incapaz de recapturar a magia única da animação.
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Para os fãs mais jovens e aqueles que nunca viram o original, o filme oferece uma aventura familiar divertida, com momentos de humor e emoção que ressoam. No entanto, para os devotos do clássico de 2002, a falta de inovação e as mudanças narrativas podem deixar um gosto amargo. A presença de cameos de Tia Carrere, Jason Scott Lee e Amy Hill é um deleite nostálgico, mas não o suficiente para compensar a ausência da energia maníaca e do comentário cultural sutil do original, como as críticas ao turismo no Havaí, que foram suavizadas aqui.
Lilo & Stitch (2025) é um remake que acerta no coração, mas falha em capturar a alma do original. Dean Fleischer Camp entrega uma adaptação que respeita a essência de ohana e apresenta atuações sólidas, especialmente de Sydney Agudong e Maia Kealoha. Contudo, a falta de uma identidade visual distinta, decisões narrativas questionáveis e uma execução que parece mais adequada para streaming do que para o cinema limitam seu impacto. Para quem busca uma dose de nostalgia com um toque moderno, o filme é uma experiência agradável, mas não indispensável. Como Stitch diria, é “ainda bom”, mas o original continua imbatível.
Nota: 3/5
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