Reunião do Conselho de segurança da ONU termina sem resolução sobre Venezuela e Guiana
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, promoveu um plebiscito em 3 de dezembro, no qual mais de 95% dos eleitores aprovaram a criação de uma província venezuelana em Essequibo, área que representa dois terços do território da Guiana.
- Foto: Ricardo Stuckert/PR
Na última sexta-feira (8), o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de “urgência” para discutir a disputa territorial entre a Venezuela e a Guiana pela região de Essequibo, conhecida por suas vastas reservas de petróleo. A reunião foi solicitada pela Guiana e aconteceu a portas fechadas, sem declarações ou comunicados após seu término.
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Georgetown, capital da Guiana, argumentou que as recentes ações tomadas por Caracas em Essequibo representam uma ameaça à paz e à segurança internacionais, levando a questão para a competência da ONU. A disputa, que já se estende por mais de um século, intensificou-se desde 2015, quando a ExxonMobil descobriu grandes reservas de petróleo na área.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, promoveu um plebiscito em 3 de dezembro, no qual mais de 95% dos eleitores aprovaram a criação de uma província venezuelana em Essequibo, área que representa dois terços do território da Guiana. O anúncio de Maduro incluiu ainda a concessão de nacionalidade venezuelana aos 125 mil habitantes da região em disputa.
A Venezuela defende que Essequibo faz parte de seu território, remontando a 1777, quando era uma colônia da Espanha. Caracas apela ao acordo de Genebra de 1966, que estabeleceu a base para um acordo negociado e anulou uma sentença de 1899. Por outro lado, a Guiana pede a ratificação dessa sentença pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), cuja jurisdição a Venezuela não reconhece.
Os Estados Unidos realizaram exercícios militares na Guiana, o que foi classificado pelo ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, como uma “provocação infeliz”. A Rússia pediu uma solução pacífica, enquanto o presidente brasileiro Lula da Silva reforçou a presença militar nas fronteiras com Guiana e Venezuela, propondo a mediação da CELAC na disputa.
Analistas veem o plebiscito e a retórica nacionalista como uma tentativa de desviar a atenção da convocação de eleições livres na Venezuela no próximo ano. O chavismo acusou líderes da oposição de traição, prendendo alguns deles, incluindo um americano, por suposta conspiração com a ExxonMobil na disputa. Outros líderes da oposição enfrentam mandados de prisão, a maioria estando fora do país.

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