Enquanto AM reduz tempo de espera por leitos, filas de outros estados se intensificam

Ocupação de leitos intensivos supera 80% em mais da metade dos estados brasileiros.

Redação AM POST

O colapso no sistema público de saúde devido à alta de casos da Covid-19 já faz pacientes enfrentarem filas — há 1.563 pessoas de 11 estados nessa situação, segundo levantamento realizado pelo GLOBO. Além disso, a taxa de ocupação nas unidades intensivas da rede pública supera os 80% em 17 estados e no Distrito Federal.

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Em contrapartida, o Amazonas que também possui fila, reduziu o tempo de espera de transferência de pacientes com o novo coronavírus (Covid-19) para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em 80% e para leitos clínicos em 91%, nos últimos dez dias.

Conforme a Central Única de Regulação e Agendamento de Consultas e Exames (Cura), a espera era de cinco dias (120 horas) para leitos de UTI e três dias (72 horas) para leitos clínicos. Atualmente a espera é de 24 horas para leitos de UTI e 6 horas para leitos clínicos.

Esse tempo para transferência pode ser maior em casos em que o quadro clínico do paciente, avaliado por equipe médica, não permita o transporte com segurança.

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No final de janeiro, o número de pacientes com Covid-19 aguardando remoção de um leito de menor complexidade para um leito de maior complexidade era de 612. Nessa sexta-feira (05/03), o número de chamados em espera de pacientes com a Covid-19 chegou a 37.

Os novos chamados diários abertos para transferências também tiveram redução de 86,2%, saindo do pico de 196 em janeiro para 27 nessa sexta-feira (05/03).

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O secretário de Estado de Saúde, Marcellus Campêlo, destaca que o processo de transferência é intenso e dinâmico e depende da oferta de leitos, da capacidade de remoção no dia e da quantidade de pacientes novos que entram. Mas a proporção entre os novos chamados e os chamados em aberto tem sido cada dia menor, ajudando a reduzir o tempo de espera.

Outros estados
A maior fila de espera para um leito de UTI se encontra no Paraná, onde 336 pessoas aguardam uma vaga e 811 pacientes esperam leitos em geral. Também na Região Sul, que vem sendo fortemente atingida pela alta de casos da pandemia, o Rio Grande do Sul ultrapassou sua lotação máxima e registra 101% de ocupação dos leitos de tratamento intensivo, com 145 pacientes aguardando um leito.

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Também possuem filas para UTI os estados da Bahia, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Rondônia e Santa Catarina. E este número tende a ser ainda maior, já que 12 estados não retornaram aos pedidos da reportagem, entre eles o Ceará, que apresenta a alta taxa de 93,4% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados.

Trabalham sem lista de espera no momento Sergipe, Roraima, Paraíba, Pará e Espírito Santo.

Na Bahia a situação vem se agravando nos últimos dias. Com ocupação de 87% das UTIs, o estado já registra uma fila de 328 pacientes.

Já o Maranhão conta com com 65,7% das UTIs ocupadas, uma taxa menor do que outras unidades federativas, mas ainda assim há 15 pacientes aguardando uma vaga. De acordo com a Secretaria de Saúde, isso ocorre porque, em alguns municípios, a rede estadual apresenta ocupação de 100% dos leitos clínicos e de UTI — caso, por exemplo, de Imperatriz, o segundo maior do estado.

A secretaria ressaltou que tem realizado a transferência diária de pacientes para a capital São Luís e outras regiões através de UTI Aérea, e que na semana que vem abrirá um hospital de campanha com 60 leitos.

O estado de Goiás, que tem 96,5% de seus leitos de UTI ocupados, também registra uma longa fila de espera para suas UTIs: 236 pacientes. Nenhum deles está sem atendimento, segundo nota da Secretaria de Saúde, “pois recebem assistência em leitos que não são exclusivos para coronavírus nas unidades de origem do pedido até que sejam transferidas para hospitais dedicados aos casos confirmados de Covid-19”.

Já o estado de São Paulo bateu seu recorde de ocupação de leitos de UTI nesta sexta-feira, registrando a taxa de 78,5%. O valor supera o recorde anterior, de 77,4%, notificado na véspera.