Cristina Monte

Programa de trainee para negros do Magalu gera bafafá nas redes sociais

O objetivo do programa é contratar apenas negros, oportunizando que esse pessoal tenha totais condições em avançar no mercado de trabalho.

Por Cristina Monte

Bom, começo esse assunto avisando que não me sinto confortável em usar a palavra “negros” no título, diferenciando as pessoas pelo tom de pele, porém, como é essa classificação que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) usa nas pesquisas relativas às diferenças entre as raças, preciso me habituar a usá-la mesmo que me cause certo desconforto! Em minha opinião, as pessoas deveriam ser vistas e reconhecidas pelos seus talentos, comportamento e atuação e não pela cor da pele. Se me esforço em colocar todo mundo no mesmo barco, respeitando que as diferenças sejam consideradas sob outros aspectos, o ranço do preconceito respira com vigor e está longe do fim. E uma coisa é certa: brancos e negros têm salários e postos de trabalho bem diferentes. Nem preciso dizer que nessa luta de braço, os brancos geralmente levam vantagem!

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Oportunidade é um (re) começo
A gente pode entender, até certo ponto, que a origem humilde da maioria dos negros pesa pro lado da injustiça social, mas não pode concordar que isso seja determinante pro resto da vida das pessoas, e mesmo que o planeta tenha dado saltos astronômicos em tantas coisas, a questão racial continua firme e forte, será?

Semana passada a discussão sobre o Programa de Trainee de 2021 da rede varejista Magazine Luiza gerou uma polêmica danada nas redes sociais, tudo porque o objetivo do programa é contratar apenas negros, oportunizando que esse pessoal tenha totais condições em avançar no mercado de trabalho, construir e desenvolver uma carreira profissional sólida numa empresa como a do porte do Magazine Luiza ou até em outras maiores. Mesmo assim, críticos rebateram dizendo que o programa é racista!

A iniciativa da empresa, mesmo elogiada por boa parte da sociedade e dos movimentos sociais foi criticada por políticos, como o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ), que anunciou que entrará com uma representação no Ministério Público. Na visão do caríssimo senhor, o programa é excludente, já que exclui brancos, pardos, indígenas e outro tipo de raça brasileira!

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Por mais espaço diversificado
Num momento de pandemia em que falamos tanto em diversidade, inclusão, união é lamentável que posicionamentos como o do deputado ainda encontrem eco na sociedade! Será difícil entender que há um recadinho por trás do programa? Tipo: olha precisamos romper o preconceito do racismo e estamos tentando fazer diferente!

Deveríamos comemorar que finalmente empresas como o Magalu, a Bayer e a Vivo, dentre outras, estão se amoldando a novas realidades e buscando trazer para seus escritórios negros que – provavelmente – não teriam outra oportunidade de ocupar espaço no mercado de trabalho iniciando numa empresa que preza pela diversificação! Essas pessoas têm plenas condições de assumir outros cargos e crescer na corporação, como qualquer outra pessoa, independentemente da cor da pele, religião, credo, cultura e sei-lá-mais-o-quê!

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Vamos orar pra que um dia a gente não precise de programas como o do Magalu e que a contratação de todos seja um processo natural e inclua pessoas de todas as raças, culturas, preferências sexuais e assim por diante. No entanto, hoje, precisamos sim de iniciativas empresariais como essa para elevar o debate sobre o racismo no ambiente de trabalho e dar oportunidade de emprego pra esse grupo! Precisamos de mais ações do que de papo furado!

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