Estudo sugere que povo no Quênia é geneticamente adaptado a ambientes hostis
Pesquisa inédita indica que os turkanas, comunidade seminômade do norte do Quênia, desenvolveram adaptações genéticas para sobreviver em condições áridas e extremas.

Estudo sugere que povo no Quênia é geneticamente adaptado a ambientes hostis – Foto: wikimedia
Curiosidades – Um estudo publicado na revista Science revelou que o povo Turkana, grupo étnico de pastores seminômades que vive no norte do Quênia, pode carregar adaptações genéticas únicas para enfrentar um dos ambientes mais hostis do planeta.
Genética moldada pela seleção natural
A pesquisa analisou 367 genomas completos e mais de 7 milhões de variantes genéticas de membros da comunidade, identificando oito regiões sob forte pressão seletiva. Um dos genes de destaque foi o STC1, ligado ao funcionamento dos rins e crucial para lidar com desidratação e com uma dieta altamente rica em carne e sangue — base alimentar dos turkanas.
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Segundo Charles Miano, do Kenya Medical Research Institute (Kemri), as evidências sugerem que essas adaptações começaram a se formar há cerca de 5 mil anos, quando o clima da região ficou ainda mais seco.
Sobrevivendo em um dos lugares mais áridos do mundo
A região de Turkana é marcada por calor extremo, chuvas irregulares e escassez de água. Aproximadamente 70% a 80% da dieta local é de origem animal. Apesar do alto consumo de purinas — substância associada à gota — a condição é raramente observada entre eles.
O professor Julien Ayroles, da Universidade da Califórnia em Berkeley, destacou que, mesmo com cerca de 90% dos avaliados em estado de desidratação, a população se mantém saudável. “Os Turkana oferecem uma janela extraordinária para entendermos a adaptação humana em condições extremas”, afirmou.
Descompasso evolutivo e desafios modernos
Embora essenciais para a sobrevivência no deserto, essas mesmas adaptações podem se tornar desvantagens quando membros da comunidade migram para cidades. Nos centros urbanos, as mudanças na dieta e no estilo de vida aumentam o risco de doenças crônicas, como hipertensão e obesidade, um fenômeno chamado de descompasso evolutivo.
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Comparações entre turkanas urbanos e os que permanecem nas aldeias mostraram diferenças significativas em biomarcadores de saúde, evidenciando esse desequilíbrio.
Um estudo feito em colaboração com a comunidade
O Turkana Health and Genomics Project (THGP), responsável pelo trabalho, envolveu instituições africanas e americanas, além da própria comunidade local. Durante quase uma década, o projeto uniu genética, ecologia e antropologia, sempre com a participação ativa dos turkanas em discussões sobre saúde e mudanças sociais.
Para Sospeter Ngoci Njeru, co-investigador do Kemri, a colaboração foi essencial: “Os insights dos turkanas sobre seu ambiente e estilo de vida foram fundamentais para conectar os dados genéticos às estratégias reais de sobrevivência.”
Lições para o futuro
O estudo mostra como a evolução humana continua a ser moldada pelo clima e destaca a importância de compreender essas adaptações para planejar políticas de saúde mais eficazes. Para disseminar o conhecimento, os cientistas vão lançar um podcast em língua local, tornando as descobertas acessíveis à própria comunidade.
Segundo o Portal Aventuras na História, Dino Martins, diretor do Turkana Basin Institute, a pesquisa “acrescenta um capítulo essencial à compreensão da evolução humana e do impacto das mudanças climáticas sobre nossa biologia”.
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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
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