Horror em Amityville: A verdade por trás do caso que chocou o mundo
A casa foi marcada por um crime brutal que daria origem a uma das histórias mais famosas de ‘true crime’.
- (Foto: Divulgação)
Curiosidades – Em 13 de novembro de 1974, a cidade de Amityville, em Long Island, Nova York, foi marcada por um crime brutal que daria origem a uma das histórias mais famosas de true crime e paranormalidade. Ronald DeFeo Jr. assassinou sua família na casa localizada na 112 Ocean Avenue, um evento trágico que, anos depois, seria eclipsado pelas alegações sobrenaturais da família Lutz. Este artigo explora os fatos documentados dos assassinatos, as controvérsias das assombrações e o impacto cultural do caso conhecido como Horror em Amityville.
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Foto: Casa Amityville na 112 Ocean Avenue
Os Assassinatos de 1974
Na madrugada de 13 de novembro de 1974, Ronald Joseph DeFeo Jr., então com 23 anos, usou um rifle Marlin 336C calibre .35 para matar seis membros de sua família enquanto dormiam. As vítimas foram seu pai, Ronald Sr., 43 anos, sua mãe, Louise, 43, e seus irmãos Dawn, 18, Allison, 13, Marc, 12, e John, 9. Segundo registros do Departamento de Polícia do Condado de Suffolk, disponíveis em arquivos judiciais públicos, DeFeo inicialmente alegou que um assassino da máfia havia invadido a casa, mas confessou o crime no dia seguinte. Durante o julgamento em 1975, sua defesa argumentou insanidade, afirmando que ele ouviu vozes ordenando os assassinatos. O júri rejeitou a tese, e DeFeo foi condenado a seis penas consecutivas de 25 anos a perpétua. Ele morreu na prisão em 21 de março de 2021, aos 69 anos, conforme noticiado pelo New York Post.
A História dos Lutz e as Alegações Sobrenaturais
Em dezembro de 1975, George e Kathy Lutz compraram a casa na 112 Ocean Avenue por US$ 80 mil, um preço baixo para uma propriedade de seis quartos com piscina e acesso ao rio Amityville. Acompanhados dos três filhos de Kathy de um casamento anterior, eles se mudaram para o local, mas abandonaram a residência após apenas 28 dias. Segundo o livro The Amityville Horror, escrito por Jay Anson e publicado em 1977, os Lutz afirmaram ter enfrentado fenômenos paranormais, como visões de porcos com olhos vermelhos, paredes escorrendo uma substância viscosa verde, portas arrancadas das dobradiças e um ataque invisível contra o padre Ralph Pecoraro durante uma bênção. O livro vendeu mais de 10 milhões de cópias e inspirou o filme de 1979, estrelado por James Brolin e Margot Kidder, que arrecadou mais de US$ 80 milhões nas bilheterias.
Controvérsias e Evidências em Questão
As alegações dos Lutz logo enfrentaram ceticismo. Não há registros policiais de chamadas ou incidentes na casa durante os 28 dias em que lá estiveram, conforme investigações relatadas pelo Newsday. Além disso, um estudo do pesquisador Rick Moran, publicado em revistas especializadas, apontou inconsistências no livro, como a menção a pegadas de cascos na neve em 1º de janeiro de 1976 — o Serviço Nacional de Meteorologia confirma que não nevou em Amityville naquele dia. Em 1979, William Weber, advogado de DeFeo, disse à revista People que ajudou os Lutz a criar a história durante conversas regadas a vinho, motivados por ganhos financeiros. Os Lutz, que enfrentavam dívidas e problemas legais na época, rejeitaram as acusações de Weber em declarações à imprensa, insistindo que suas experiências eram reais. Testes de polígrafo aplicados à família, conforme reportado pelo The Washington Post, foram inconclusivos, deixando dúvidas sobre a veracidade dos eventos.
O Envolvimento dos Warrens e o Impacto Cultural
Em 1976, os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren visitaram a casa com uma equipe da emissora WPIX-TV. Eles afirmaram ter sentido uma presença maligna e divulgaram uma foto conhecida como “o menino fantasma”, supostamente capturada no local. Suas alegações, amplamente exploradas em palestras e livros, reforçaram a narrativa sobrenatural, embora nunca tenham sido comprovadas por evidências físicas. O caso ganhou dimensão cultural com o sucesso do filme de 1979 e suas inúmeras sequências. A casa, vendida pela última vez em 2017 por US$ 605 mil, segundo a Realtor.com, permanece um ponto de interesse turístico, mas os atuais proprietários negam qualquer atividade paranormal, conforme entrevistas ao The New York Times.
O Horror em Amityville é, em essência, dois eventos distintos: os assassinatos reais de Ronald DeFeo Jr., documentados em registros oficiais, e as alegações paranormais dos Lutz, que permanecem envoltas em controvérsia. Enquanto os crimes são um fato trágico, as assombrações carecem de provas concretas, sugerindo uma mistura de oportunismo e, possivelmente, ilusão ampliada pelo contexto traumático da casa. O legado do caso reflete mais o fascínio humano pelo desconhecido do que uma verdade definitiva.
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