Na Coreia do Sul, ficar sem fazer nada por 90 minutos virou esporte
Competição anual em Seul desafia participantes a permanecer imóveis, sem distrações, por uma hora e meia.

Na Coreia do Sul, ficar sem fazer nada por 90 minutos virou esporte – Foto: Imagem criada por inteligência artificial
Curiosidades – Na Coreia do Sul, algo que muitos consideram preguiça virou esporte: ficar sem fazer nada. Desde 2014, a Space-Out Competition, realizada às margens do rio Han, em Seul, desafia centenas de pessoas a permanecerem imóveis e calmas por 90 minutos, sem celular, sem conversa e sem cochilar.
A edição mais recente aconteceu em maio de 2025 e teve como vencedor o empresário e músico de punk Byung-jin Park, de 36 anos. Ao lado da banda, Park superou mais de cem competidores com sua técnica de respiração abdominal lenta e foco absoluto em um único ponto. “Com o passar do tempo, comecei a esquecer onde estava. Parecia que meu corpo havia desaparecido”, relatou.
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Como funciona a disputa
De acordo com o Portal Aventuras na História, durante a competição, os batimentos cardíacos dos participantes são monitorados por aparelhos, enquanto o público escolhe quem transmite maior sensação de tranquilidade.
A proposta nasceu em 2014, idealizada pelo artista visual Woopsyang, como uma crítica ao ritmo acelerado da vida moderna e ao esgotamento mental.
Por que parar pode ser tão difícil
Estudos mostram que para muitas pessoas o silêncio é desconfortável. Pesquisadores da Universidade da Virgínia já haviam revelado, em 2014, que algumas pessoas preferiam receber pequenos choques elétricos a ficar sozinhas com seus pensamentos por apenas 15 minutos.
No entanto, especialistas apontam benefícios claros. Segundo o psiquiatra Hanson Park, professor da Universidade Nacional de Seul, momentos de introspecção podem reduzir hormônios do estresse, melhorar o controle das emoções e até ajudar no combate à ansiedade e depressão.
Reflexo da sociedade sul-coreana
Apesar da popularidade crescente, não fazer nada ainda é visto como “preguiça” em uma das sociedades mais competitivas do mundo. Park enxerga esse dilema na própria família:
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“Meus filhos estão sempre sobrecarregados com deveres e cursos extracurriculares. Sinto tristeza ao ver que falta tempo para serem criativos e brincarem. Reflete o desconforto da sociedade com a ociosidade.”
O conselho do campeão
Para quem quer experimentar, Byung-jin Park recomenda começar devagar:
“Force-se a espaçar por pelo menos 10 minutos por semana. No início, os pensamentos virão em espiral, mas, com o tempo, eles se estabilizam. Isso pode trazer clareza.”
Para ele, a maior lição foi descobrir a importância de pausas conscientes no dia a dia. Agora, pretende continuar meditando em família e já planeja voltar à competição no próximo ano.
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Por: Mayara Leite – Redatora Seo On
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