Neandertais tinham preferências culinárias distintas ao preparar refeições
Estudo revela diferenças em técnicas de açougueamento entre grupos em cavernas no Levante histórico

Neandertais tinham preferências culinárias distintas ao preparar refeições – Foto: imagem gerada por inteligência artificial
Curiosidades – Uma pesquisa publicada na revista Frontiers in Environmental Archaeology identificou que neandertais que viveram há cerca de 70 mil a 50 mil anos em duas cavernas próximas no norte de Israel — Amud e Kebara — adotavam modos diferentes de preparar carne, indicando tradições culinárias variadas entre os grupos.
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Cortes que contam histórias: Amud vs. Kebara
Segundo o Portal Aventura na História, analisando marcas de corte em ossos de gazelas, cervos e auroques, os pesquisadores observaram que os fragmentos de Amud apresentavam cortes sobrepostos e curvos — em contraste com os traços mais retos de Kebara. Essas diferenças persistiram mesmo ao comparar apenas ossos similares, sugerindo que não se tratou apenas de variação nos animais ou partes específicas.
Origem das variações: Cultura, técnica ou sabor?
Os cientistas propõem hipóteses como métodos distintos de corte, diferentes números de pessoas envolvidas no açougueamento e preparos de carne em estágios variados de decomposição. Tudo isso aponta para tradições socialmente transmitidas dentro dos grupos.
Implicações históricas e culturais
Segundo Anaëlle Jallon, líder do estudo, as variações mostram que os neandertais não eram culturalmente uniformes, mas constituíam populações com comportamentos e estilos de vida diversos, lembrando a pluralidade cultural dos humanos modernos. Para o arqueólogo Matt Pope (University College London), as marcas nos ossos são tão reveladoras quanto pegadas ou inscrições pré-históricas, pois registram os gestos e movimentos desses grupos antigos.
O que a pesquisa reforça sobre a dieta neandertal
Essa investigação integra-se a um corpo crescente de estudos que mostram que os neandertais tinham uma dieta sofisticada, não restrita à carne. Há evidências de que consumiam leguminosas, sementes, frutos do mar e vegetais, e que até cozinhar e temperar eram práticas comuns há dezenas de milhares de anos.
Pesquisas anteriores já indicavam consumo de grãos e raízes cozidas há 70 mil anos, além do uso de fogo para preparar alimentos como pão-like ou mingaus — hábitos sofisticados para a época.
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A narrativa da antropologia revisitada
Em contraste com o estereótipo antigo do neandertal como um ser primitivo, as evidências arqueológicas atuais apontam para uma espécie com técnicas de subsistência complexas, transmissão cultural e rico repertório alimentar. O estudo reforça a visão de que eles se integravam ao seu ambiente e formavam grupos com identidade própria
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Por: Mayara Leite – Estudante de Jornalismo.
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