“Ódio às mulheres como resposta”: o que é incel, o movimento misógino que cresce na internet
Conheça o fenômeno que atrai jovens no Brasil e no mundo.

Foto: freepik
Curiosidades– A série Adolescência, lançada em março, tem conquistado o mundo ao revelar o universo sombrio dos incels, ou “celibatários involuntários”. Esse grupo, majoritariamente masculino, é conhecido por suas visões misóginas e ressentidas, frequentemente disseminadas em fóruns e redes sociais. Este artigo explora o fenômeno incel, sua presença no Brasil, os perigos do extremismo e como a série joga luz sobre essa questão.
Quem São os Incels?
Os incels são homens, geralmente heterossexuais, que se percebem como incapazes de atrair interesse romântico ou sexual. Eles atribuem esse fracasso a fatores como aparência física, suposta inferioridade biológica ou falta de status social. O que começa como insegurança e baixa autoestima muitas vezes evolui para ódio contra mulheres, que são vistas como manipuladoras e interessadas apenas em homens atraentes.
PUBLICIDADE
Esse movimento, que ganhou força na internet nas últimas duas décadas, é parte da chamada “machosfera”, uma rede de comunidades virtuais que promovem ideologias hipermasculinas. A série Adolescência mergulha nesse ecossistema, mostrando como ele atrai jovens, incluindo adolescentes, em busca de pertencimento.
Origem do Termo Incel
O termo “incel” foi criado nos anos 1990 por uma jovem canadense, Alana, que buscava apoio para suas dificuldades amorosas. Seu projeto, inicialmente inofensivo, foi apropriado por homens frustrados, transformando-se em um movimento global marcado por ideias tóxicas. Alana, em 2018, comparou essa apropriação à descoberta de uma tecnologia usada para fins destrutivos.
O Fenômeno Incel no Brasil
No Brasil, os incels estão ativos em plataformas como TikTok, Instagram, YouTube e Discord, adaptando sua retórica ao contexto local. Segundo a cientista política Bruna Camilo, que pesquisou interações de incels brasileiros no Telegram, esses grupos usam termos chulos para atacar mulheres, sejam feministas ou conservadoras. Até casos como o de Eloá Pimentel, assassinada em 2008, são evocados como exemplos de “vingança” contra rejeição.
Os incels brasileiros também mostram alinhamento com a extrema direita, inspirando-se em figuras como Olavo de Carvalho e em movimentos semelhantes nos Estados Unidos. Um relatório de 2023 do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontou os grupos masculinistas, incluindo os incels, como fontes significativas de discurso de ódio online.
A Série Adolescência e Sua Relevância
Adolescência destaca o impacto dos incels na juventude, mostrando como adolescentes vulneráveis são atraídos por essas comunidades. A série aborda a busca por aceitação em um momento de transformações pessoais, comum na adolescência, e como isso pode levar à radicalização. Um exemplo marcante é a cena em que um jovem conversa com os pais sobre o tema, ilustrando o choque geracional e a dificuldade de lidar com essas ideologias.
PUBLICIDADE
A produção também conecta o fenômeno a casos reais, como o atropelador de Toronto, que fazia parte de uma comunidade incel. Esse evento reforça a gravidade do problema, já que especialistas alertam para o potencial de violência, seja contra mulheres, autoinfligida ou em ataques em massa.
Os Perigos do Extremismo Incel
Os incels são considerados um dos subgrupos mais perigosos da machosfera devido à sua capacidade de incitar violência e propagar ideias supremacistas. Nos Estados Unidos, o Serviço Secreto classificou o extremismo misógino como ameaça nacional em 2022. Na Europa, relatórios apontam a presença de incels em países como Alemanha, Suécia e França, onde sentimentos de inferioridade e ressentimento contra os direitos das mulheres alimentam o movimento.
Termos como “Chad” (homem atraente), “Stacy” (mulher superficial) e “regra 80/20” (ideia de que 80% das mulheres desejam 20% dos homens) são comuns no vocabulário incel. Ideologias como a “pílula vermelha” (redpill), que representa o despertar para essas crenças, e a mais radical “pílula preta” (blackpill), que defende visões niilistas e violentas, estão em ascensão, inclusive no Brasil.
Saúde Mental e Soluções
Estudos da Universidade de Swansea indicam que incels frequentemente enfrentam depressão, ansiedade, solidão e traços de autismo. Especialistas sugerem que, em vez de abordagens punitivas, o foco deveria ser na saúde mental. Terapias especializadas podem ajudar a desconstruir crenças tóxicas, enquanto espaços online alternativos poderiam oferecer apoio emocional positivo para homens e jovens.
A série Adolescência reforça essa mensagem, mostrando que a radicalização muitas vezes começa com a busca por aceitação. Programas que promovam diálogo sobre relacionamentos, rejeição e autoestima são essenciais para combater o fenômeno.
O movimento incel é um alerta sobre os perigos da radicalização online, especialmente entre jovens. A série Adolescência cumpre um papel crucial ao expor esse submundo e estimular conversas sobre misoginia, saúde mental e extremismo. No Brasil, onde o fenômeno cresce em plataformas populares, é urgente criar estratégias que combinem educação, apoio psicológico e monitoramento de discursos de ódio.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos





