Pesquisadores revelam como as pedras de Stonehenge foram parar no monumento
Novo estudo afirma que rochas de 3 toneladas foram transportadas por humanos há mais de 5 mil anos

Pesquisadores revelam como as pedras de Stonehenge foram parar no monumento – Foto: Wikimedia
Curiosidades – Uma pesquisa recente publicada no Journal of Archaeological Science: Reports pode finalmente ter esclarecido um dos maiores enigmas da arqueologia mundial: como as icônicas pedras menores de Stonehenge, conhecidas como bluestones, chegaram até o monumento localizado na planície de Salisbury, na Inglaterra.
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Liderado pelo professor Richard Bevins, da Universidade de Aberystwyth, o estudo revisitou um elemento-chave desse mistério: o chamado Newall boulder, uma pedra coletada há cerca de um século durante escavações em Stonehenge. A grande questão era saber se esse tipo de rocha teria sido arrastado até lá por geleiras durante a Era do Gelo ou se teria sido carregado por humanos há mais de cinco milênios.
Utilizando análises geoquímicas e microscópicas, os cientistas compararam o Newall boulder com amostras extraídas da formação rochosa de Craig Rhos-y-Felin, no País de Gales — a mais de 200 km do local do monumento. O resultado foi definitivo: as composições são idênticas e, mais importante, não há qualquer indício de transporte glacial. Isso confirma que os antigos povos neolíticos realmente transportaram manualmente essas pedras colossais até a planície de Salisbury.
Além da coincidência química entre as pedras (com níveis idênticos de tório e zircônio), o estudo também revelou que uma das rochas enterradas em Stonehenge é feita de rhyolite foliated, mesma composição do Newall boulder. Esse dado reforça a origem única das bluestones e a atuação direta dos humanos no processo.
De acordo com o Portal Aventuras na História, historicamente, a hipótese de transporte por gelo foi sustentada por especialistas como o geólogo Brian John, que via marcas de abrasão glaciais no Newall boulder. No entanto, os pesquisadores agora argumentam que tais marcas podem ter sido causadas por erosão natural, não por geleiras.
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Outro ponto importante destacado no estudo é que nenhuma outra área da planície de Salisbury contém rochas do mesmo tipo, o que enfraquece ainda mais a tese glacial. Segundo os autores, isso sugere uma escolha intencional do local e das pedras pelos construtores neolíticos.
Mover blocos de mais de três toneladas por 200 quilômetros pode parecer impensável hoje, mas o estudo reforça que as tecnologias da época — como trenós, rolos e caminhos planejados — já eram suficientes para tais feitos. A pesquisa, portanto, fortalece a visão de que Stonehenge é uma prova concreta da capacidade organizacional e da engenhosidade dos povos antigos.
“Parte da fascinação por Stonehenge é que muitos de seus megalitos, ao contrário dos grandes sarsens relativamente locais, podem ser provados como tendo sido originados no País de Gales, a mais de 200 km a oeste”, concluíram os autores com 95% de certeza.
Com isso, um dos maiores mistérios arqueológicos da humanidade parece, enfim, ter ganhado uma resposta baseada em evidências sólidas e tecnologia moderna.
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Por: Mayara Leite – Estudante de Jornalismo.
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