Tomografia revela detalhes inéditos de fóssil de dicinodonte encontrado no Brasil
Descobrindo o interior do crânio do Rastodon, animal pré-histórico de 260 milhões de anos

Tomografia revela detalhes inéditos de fóssil de dicinodonte encontrado no Brasil – Foto: wikimedia
Curiosidades – Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e do Museu Nacional da UFRJ conseguiram reconstruir em 3D, por microtomografia de alta resolução, a anatomia interna da cabeça de um dicinodonte chamado Rastodon procurvidens. O fóssil, que viveu há cerca de 260 milhões de anos no que hoje é o Pampa gaúcho, estava completamente fossilizado no interior de uma rocha, com a boca praticamente fechada.
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O que a tomografia revelou
Com o uso da microtomografia, os cientistas puderam “abrir a boca” do animal digitalmente e estudar estruturas internas como a mandíbula, céu da boca e abertura lateral da mandíbula (fenestra mandibular). Esse último detalhe chamou atenção: a estrutura observada é muito similar à de alguns dicinodontes africanos, o que levanta novas hipóteses sobre a posição evolutiva da espécie.
Também identificaram que o fóssil correspondia a um jovem adulto, de porte relativamente pequeno para padrões do grupo, e puderam examinar ossos individuais de maneira não invasiva — o que preserva o fóssil físico e evita danos.
Importância filogenética e novas classificações
Até então, Rastodon procurvidens era classificado como parte dos bidentálio, grupo majoritariamente conhecido na África do Sul. A nova análise sugere que ele se alinha mais corretamente com os Emydopoidea, outro ramo de dicinodontes. Caso confirmado, ele se tornaria o primeiro representante desse grupo identificado na América do Sul, trazendo implicações sobre como esse grupo se distribuiu no passado.
Tecnologias que preservam fósseis e avançam a paleontologia
A microtomografia usada permite visualizar ossos sem retirá-los da rocha, mantendo o fóssil íntegro. Esse tipo de exame torna possível estudar tecidos ósseos, detalhes anatômicos finos e fazer reconstruções digitais altamente precisas. Para pesquisadores, isso abre portas para novas descobertas não só com o Rastodon, mas com muitos fósseis ainda pouco estudados ou quase inacessíveis.
O que a descoberta sugere sobre adaptação ao ambiente
Segundo o Portal Superinteressante, além da anatomia, os cientistas observaram que esse dicinodonte provavelmente escavava tocas no solo — uma adaptação útil para sobreviver a condições desafiadoras antes da grande extinção do final do Permiano. Dinossauros são mais “pop” nas discussões de portais e livros, mas linques como esse reforçam que a vida antes e além deles foi bastante diversificada e adaptativa.
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