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Economia

Dólar vai ao maior nível desde agosto por preocupação com gasto público

Governo federal avalia medidas para conter o aumento das despesas.

15/10/2024 às 20:05

Depois de um alívio temporário ontem, baseado em notícias de que o governo federal avalia medidas para conter o aumento das despesas, o dólar voltou a subir em relação ao real, conforme alguns detalhes sobre as potenciais medidas de controle de gastos vieram à tona e diante de fatores negativos para o real vindos do exterior – entre eles a queda significativa nos preços do petróleo e a possibilidade de a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos atrapalhar a queda dos juros americanos.

O dólar à vista subiu 1,33% e terminou o pregão a R$ 5,6570 – maior nível de fechamento desde 6 de agosto, quando encerrou a sessão a R$ 5,6574. No mercado futuro, o contrato da moeda para novembro subia 1,18%, aos R$ 5,6630, às 17h45.

O Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou que o governo avalia dois desenhos para as ações de revisão de gastos: um abrangente, envolvendo mais programas de um número maior de ministérios, e outro mais restrito, focado em ações que já são amplamente citadas pelo governo e que estão em curso, como o aumento da fiscalização no pagamento de benefícios sociais e previdenciários.

O problema, na visão dos especialistas, é que a questão fiscal brasileira necessariamente exige um plano abrangente de redução das despesas. “Há dois pacotes em estudo, mas um é absolutamente inútil, não atende a urgência de uma dívida crescente e explosiva”, disse Alexandre Mathias, estrategista-chefe da Monte Bravo. “É decepcionante, a gente só poderia estar analisando um ajuste duro ou um duríssimo”, avaliou.

Gean Lima, estrategista e trader de juros e moedas da Connex Capital, apontou que há uma preocupação subjacente dos investidores com as despesas do governo que correm por fora do cálculo do resultado primário e que têm efeito sobre o endividamento público. Segundo ele, a questão fiscal está “muito longe de uma resolução” e isso dificulta a montagem de posições compradas em real.

Para além dos fator doméstico, o dólar também encontrou força adicional no exterior. Os comentários de Trump em defesa do aumento das tarifas de importação nos Estados Unidos – medida de caráter inflacionário e que poderia reduzir a velocidade do corte de juros no país – também repercutiram no mercado de câmbio e deram força ao dólar no início da tarde.

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Em menor grau, a queda de aproximadamente 4% nos preços do petróleo prejudicou tanto o real quanto moedas de economias emergentes ligadas a commodities.

Ibovespa

Após um início de semana positivo, o Ibovespa obteve ajuste de alta no fechamento, sem sair dos 131 mil pontos, em dia no qual voltou a contar com apoio de parte do setor financeiro, mas não do segmento de commodities, que determinava o sinal da sessão desde a manhã. Tendo operado em baixa ao longo da maior parte do dia, o índice da B3 mostrava, ao fim, leve ganho de 0,03%, aos 131.043,27 pontos, com giro financeiro a R$ 20,2 bilhões. Nesta terça-feira, oscilou entre mínima de 130.199,82 e máxima de 131.456,51 pontos, saindo de abertura aos 131.005,25. Na semana, o Ibovespa avança 0,81%, com perdas no mês a 0,59% e, no ano, a 2,34%.

À tarde, falas protecionistas do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, mantiveram o apetite por ativos de risco na defensiva, em Nova York como em São Paulo. Por lá, os principais índices de ações anotaram perdas entre 0,75% (Dow Jones) e 1,01% (Nasdaq) no fechamento. Na B3, os carros-chefes das commodities cederam 1,23% (Vale ON), 1,14% (Petrobras ON) e 0,82% (Petrobras PN) nesta terça-feira. Entre os grandes bancos, o desempenho era misto, mas ganhou força no fechamento, com destaque para alta de 1,15% em Itaú PN, uma das principais ações do índice, e de 0,87% para Bradesco PN.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, LWSA (+4,22%), WEG (+2,71%) e JBS (+2,54%). No lado oposto, Azul (-2,97%), Usiminas (-2,39%) e Yduqs (-2,29%)

Com a eleição americana se aproximando e um quadro totalmente em aberto sobre quem sairá vitorioso em novembro, novas declarações de Trump sobre tarifas comerciais, impostos e juros – uma atribuição de direito exclusivo do Federal Reserve – não passaram despercebidas dos investidores. Por aqui, com atenção também voltada ao cenário fiscal doméstico, o dólar à vista subiu 1,33%, a R$ 5,6570, acumulando ganho de 3,85% nesta primeira quinzena de outubro.

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A tarde foi também de avanço para a curva de juros doméstica e, nos EUA, de demanda por Treasuries mais longos, de 10 e 30 anos, o que resultou em queda dos rendimentos desses papéis – considerados referência de proteção. Por sua vez, o ouro fechou em alta, perto da máxima histórica, como refúgio seguro também para o cenário de crescentes tensões no Oriente Médio, em meio à expectativa para um ataque direto de Israel ao Irã.

Apesar da tensão militar, a expectativa é de que a ação israelense não tenha como objetivo as instalações nucleares ou a produção de petróleo do país persa, o que contribuiu para que os preços da commodity recuassem mais de 4% nesta terça-feira, em Londres (Brent) e em Nova York (WTI), levando consigo as ações da Petrobras na B3. O dia foi moderadamente negativo para o minério de ferro na China, com o mercado à espera de uma nova safra de estímulos para o gigante asiático.

Não obstante a cautela externa, o Ibovespa foi pouco volátil na sessão, ancorado no patamar de 130 mil pontos, ressalta Felipe Moura, analista da Finacap.

“O índice tem mostrado alguma força na parte compradora, dado que a curva de juros tem abertura relevante nas últimas semanas, refletindo ainda desconfiança do mercado com relação ao governo fazer o ajuste fiscal necessário”, diz Moura, acrescentando que o mercado havia reagido bem, ontem, aos rumores de que o governo estaria preparando um pacote de medidas fiscais para depois do segundo turno das eleições municipais, no fim do mês.

“A manutenção de bons resultados pelas empresas e uma percepção mais favorável sobre o macro seriam uma combinação interessante para que a Bolsa tenha um bom desempenho em direção ao fim do ano”, aponta o analista, referindo-se à proximidade do início de nova temporada de balanços corporativos, referentes ao terceiro trimestre.

Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o comportamento recente da curva de juros doméstica tem sido o fator decisivo para a falta de impulso adicional ao Ibovespa – que renovou máxima histórica em agosto, chegando aos 137 mil pontos no melhor momento, no fim daquele mês. Desde então, o índice se acomodou em níveis um pouco mais baixos, rondando agora a marca dos 130 mil ou 131 mil pontos – sem força para subir, tampouco inclinado a uma correção mais forte.

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“Parece que após a Moodys elevar a nota de crédito do Brasil, a situação piorou. Atualmente, a curva de juros precifica déficit fiscal para 2025 e gastos excessivos do governo”, diz Pletes em nota, na qual destaca a reversão, em andamento, do movimento “considerável” de fechamento da curva de juros observado em setembro.

Na semana, a sessão que tende a trazer volatilidade ao mercado pode ser a de amanhã, quarta-feira, com o vencimento dos contratos de Ibovespa Futuro, e na sexta-feira, com o vencimento de opções sobre ações: dois eventos mensais que, em geral, atraem maior volume para a Bolsa e podem envolver oscilações mais agudas do índice, destaca Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital.

Juros

Os juros futuros fecharam em alta a sessão desta terça-feira, 15. O fôlego inicial de queda se esvaiu e as taxas voltaram a subir. A correção ontem puxada pela informação sobre o pacote de contenção de gastos em estudo pela equipe econômica teve vida curta e o mercado agora parece querer ações efetivas do governo. Ao longo da sessão houve ainda uma piora no desenho da curva americana que ajudou a pesar sobre as taxas domésticas. O câmbio não ajudou, com o dólar rodando nos R$ 5,65, e o leilão de NTN-B com forte aumento do risco para o mercado também pesou.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 subiu de 12,55% ontem no ajuste para 12,64% (máxima), e a do DI para janeiro de 2027, de 12,66% para 12,77%, na máxima. O DI para janeiro de 2029, que ontem tinha ajuste a 12,63%, terminou em 12,77%.

Lá fora, o mercado de Treasuries voltou depois do feriado ontem nos EUA com taxas relativamente comportadas pela manhã. À tarde, o humor azedou com declarações do ex-presidente e candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, afirmando que continuaria tentando influenciar das decisões do Federal Reserve se eleito. Além disso, a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, defendeu redução gradual dos juros, sugerindo que o processo de distensão monetária nos EUA pode ser mais lento.

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Com a aversão ao risco instalada, o fluxo das ações migrou para os títulos longos do Tesouro americano, que é o porto seguro dos mercados, e os rendimentos caíram, vitimando também moedas e ativos emergentes em geral. O dólar, já pressionado pela queda das commodities de manhã, acelerou a alta ante o real e chegou aos R$ 5,66 no meio da tarde.

A piora externa ajudou a curva dos DIs a ganhar inclinação, com as taxas longas subindo em ritmo mais acentuado. O estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, afirma que, além da maior cautela no ambiente internacional, o mercado retomou o ceticismo sobre a capacidade da Fazenda de efetivamente entregar o corte de gastos necessário para estancar a trajetória de alta da dívida pública.

Ontem, a notícia de que um pacote de medidas de contenção de gastos seria apresentado após o segundo turno deu combustível para uma redução de prêmios na curva. O Broadcast apurou que a Fazenda trabalha com duas possibilidades, a de um pacote mais amplo e outro mais restrito. Este último mira em ações que já estão em curso, sobretudo em despesas que já mostraram uma trajetória explosiva, como os benefícios sociais, previdenciários e o seguro-desemprego.

“A Fazenda até pode ter boas intenções, mas as medidas ainda têm de passar pelo crivo do presidente. Então, o mercado fica cético, pois Lula vem demonstrando preferência pelo lado mais fácil do ajuste fiscal, que é via aumento da arrecadação. A tendência é que, se aprovadas por ele, as medidas passem por alguma desidratação, tornando-se, assim, insuficiente para melhorar a trajetória da dívida”, avaliou Rostagno.

No fim da tarde, Tebet fez uma série de declarações sobre o pacote após reunir-se com o ministro Fernando Haddad, dizendo ter chegado a “hora de levar a sério revisão de gastos estrutural”. “Não é possível apenas pela ótica da receita resolver problema fiscal”, afirmou. Ela não adiantou que medidas entrarão no pacote, mas confirmou que serão apresentadas a Lula e ao Congresso após as eleições.

O Tesouro vendeu 1,288 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), ante oferta de 1,4 milhão, com risco 218,7% maior para o mercado ante o leilão da semana passada. Os lotes de 500 mil e 750 mil dos papéis para 2029 e 2035 foram absorvidos integralmente, mas a instituição vendeu muito pouco (38.050) da oferta de 150 mil para 2060.

Segundo anotou o professor especialista em renda fixa Alexandre Cabral, em sua página no X, as taxas aceitas pelo Tesouro foram as maiores do ano para os três vencimentos e maiores do que a marcação da Anbima do dia. “O Tesouro vendeu R$ 5,54 bilhões, maior do que a média de emissão do ano que é de R$ 3,71 bilhões. Com prêmio, tem comprador.”

Estadão Conteúdo

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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