Europa analisa emissão de moeda digital, a exemplo do bitcoin

O objetivo de um euro digital não seria substituir a divisa física.


Estadão Conteúdo

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta segunda-feira, 12, que a autoridade monetária está “seriamente” estudando a possibilidade de emitir uma moeda digital, como uma espécie de bitcoin para a comunidade europeia. “Uma decisão ainda não foi tomada, estamos na fase de revisão e consideração”, explicou, em evento virtual organizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Lagarde assegurou que o objetivo de um euro digital não seria substituir a divisa física. Na visão dela, o instrumento implicaria em uma série de benefícios, entre eles maior agilidade e segurança. “O sistema e o meio de pagamentos vão mudar e serão guiados pela preferência do consumidor”, destacou.

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Pandemia
A dirigente também comentou o risco de que a pandemia force o fechamento permanente de empresas que, antes da crise, estavam saudáveis, por conta da falta de acesso a liquidez. Para ela, as medidas de apoio à economia devem continuar em vigor por algum tempo, para garantir uma recuperação completa.

Lagarde ressaltou ainda que, na revisão estratégica do BCE, a instituição está estudando os impactos de mudanças climáticas na política monetária. Segundo ela, a questão suscita incertezas entre consumidores, o que pode levá-los a poupar mais.

Políticas fiscais
Expecificamente sobre as medidas a serem tomadas visando a recuperação da economia, a dirigente do Banco Central Europeu (BCE), Isabel Schnabel argumentou que as políticas monetária e fiscal devem operar de forma complementar para que a economia da zona do euro possa atenuar o quadro de inflação e crescimento deprimidos.

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“Quanto mais baixas as taxas de juros nominais, maiores são os benefícios de usar outros domínios de política de forma mais ativa, em particular as políticas fiscais e estruturais”, explicou, em discurso na Conferência Interparlmentar de Estabilidade, Coordenação Econômica e Governança da União Europeia.

Schnabel ressaltou que, em muitos países avançados, bancos centrais têm sido criticados pela dificuldade em garantir que a inflação fique acima da meta. No entanto, para ela, algumas dessas críticas não têm fundamento, porque BCs possuem controle limitado sobre tendências de longo prazo que influenciam o comportamento dos juros.

“Ao longo das últimas décadas, fatores estruturais lentos, como menor tendência de crescimento da produtividade, envelhecimento da sociedade e excesso de poupança global, juntos levaram a um declínio mensurável dessas taxas de juros”, destacou.

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Segundo a dirigente, por esses motivos, o BCE adotou uma série de políticas novas nos últimos anos, como programas de compras de ativos e juros negativos. “Existem muitos dados empíricos que sugerem que essas medidas não só foram necessárias para cumprir o nosso mandato de estabilidade de preços, mas também tiveram efeitos positivos consideráveis sobre o crescimento e o emprego na área do euro”, analisou.

Esses fatores, no entendimento de Schnabel, reforçam a mutualidade das políticas fiscal e monetária. “Não é hora de se preocupar com o fato de que o aumento da dívida pública hoje possa minar a estabilidade de preços amanhã. Pelo contrário, o uso mais ativo das políticas fiscais e estruturais no ambiente atual irá, se usado com sabedoria, apoiar a estabilidade de preços e promover a independência do banco central”, pontuou.