Mercado de capitais registra captação recorde de R$ 59,9 bilhões em janeiro
O montante representa um crescimento de 30,5% em relação ao ano anterior, impulsionado por instrumentos de renda fixa e notas comerciais.

Resumo
O volume recorde reflete a diversificação do financiamento corporativo brasileiro. O destaque para notas comerciais e FIDCs indica maior acessibilidade para empresas de médio porte, enquanto o setor de infraestrutura absorveu 41,4% dos recursos captados via debêntures no período.
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Desempenho histórico e crescimento setorial
As empresas brasileiras captaram R$ 59,9 bilhões no mercado de capitais em janeiro, atingindo o maior volume para o mês desde o início da série histórica em 2012. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (19) pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o resultado configura um aumento de 30,5% em comparação ao mesmo período do ano passado.
A renda fixa foi o principal motor das captações, totalizando R$ 46,2 bilhões. As debêntures mantiveram-se como o instrumento predominante da classe, com R$ 26,9 bilhões captados, apesar de uma leve retração frente aos R$ 28,5 bilhões registrados em janeiro de 2024.
Destaques em renda fixa e instrumentos de entrada
A destinação dos recursos captados via debêntures concentrou-se em áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico:
- Investimentos em infraestrutura: 41,4%;
- Gestão ordinária: 28,2%.
O prazo médio desses papéis foi estabelecido em 7,3 anos. Outro destaque relevante foram as notas comerciais, que alcançaram o volume recorde de R$ 6,4 bilhões para janeiro, apresentando um crescimento expressivo de 329,0%. Os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) também atingiram patamar inédito de R$ 7,0 bilhões, alta de 98,6% ante o registrado no mesmo período de 2025.
Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, destacou a relevância desses dados: “É interessante notar o desempenho neste início de ano desses instrumentos – notas comerciais e FIDCs –, que atendem também empresas de menor porte, evidenciando o leque de opções no mercado de capitais para atender as necessidades de financiamento das companhias de diversas características e portes”.
Retomada da renda variável e variações nos títulos híbridos
Diferente do ano anterior, quando não houve ofertas, a renda variável registrou atividade com duas operações de follow-on que somaram R$ 7,9 bilhões. No segmento de títulos híbridos e securitização, os resultados apresentaram oscilações distintas:
- Fundos Imobiliários (FIIs): R$ 4,8 bilhões (+18,9%);
- Fiagros: R$ 955 milhões (-8,6%);
- CRIs: R$ 3,2 bilhões (-21,3%);
- CRAs: R$ 908 milhões (-60,1%).
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