Salazar mira o poder e esquece do povo: de vereador a oportunista em tempo recorde
Parlamentar se torna um personagem cada vez mais caricato na cena pública.
- Foto: reprodução
A política amazonense tem sido palco para figuras que confundem o exercício do mandato com um show de autopromoção. É o caso do vereador de Manaus, Sargento Salazar, personagem cada vez mais caricato na cena pública. Inicialmente eleito com um discurso agressivo contra o sistema, Salazar hoje mira suas críticas em todas as direções — não por compromisso com a população, mas por puro oportunismo eleitoral.
Desde que se elegeu, o vereador passou a atacar ferozmente o prefeito de Manaus, David Almeida. O motivo? Nenhum embasamento técnico ou preocupação legítima com a cidade, mas sim uma tentativa mal disfarçada de criar palanque. Agora, ele tenta difundir seu discurso mirando no governador do Amazonas Wilson Lima — num claro movimento de posicionamento para as eleições de 2026, onde já articula possível candidatura a deputado federal.
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Novo Amom
Se eleito o vereador deve seguir os passos de outro nome conhecido da política amazonense por abandonar mandatos: o deputado federal Amom Mandel, que também não concluiu o mandato de vereador para buscar uma cadeira em Brasília. Ao que tudo indica, Salazar deve trilhar o mesmo caminho, deixando seus eleitores a ver navios.
Mais que oportunista, Sargento Salazar tem se mostrado despreparado. Foi chamado de “ator” pelo secretário municipal de Feiras e Mercados de Manaus (Semacc), Wanderson Costa, que o acusou de usar o mandato como trampolim político e de desconhecer as atribuições básicas de um vereador. Em outra crítica pública, o secretário da Semacc o classificou como alguém que “não quer defender o povo”.
Acusações graves e histórico controverso
Salazar, eleito com expressiva votação em 2024, enfrenta uma série de acusações que colocam em xeque sua idoneidade. Em janeiro de 2025, conforme o jornal Folha de S.Paulo, o Ministério Público do Amazonas o denunciou por homicídio, ocorrido em 2019, quando, de folga, perseguiu e atirou seis vezes contra um homem suspeito de roubo, resultando em sua morte. A investigação revelou inconsistências na versão do vereador, como a ausência de troca de tiros e a falta de arma com a vítima, que também foi apontada como inocente. Além disso, Salazar não registrou a ocorrência na época, só assumindo a autoria após a divulgação de imagens que o implicavam.
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“A investigação, porém, indica que Felipe Kevin não era o agressor que estava armado e não cita troca de tiros. Nenhuma arma foi encontrada quando a polícia chegou ao local, e a mulher que teve uma bolsa roubada relatou que o morto não era quem tinha sido assaltado“, diz reportagem.
Esse não é um caso isolado. Desde 2009, Salazar foi citado em pelo menos 24 investigações ou ações judiciais, incluindo abuso de autoridade, transgressão disciplinar e outros três homicídios. Embora parte desses casos tenha sido encerrada, sete ainda tramitam na Justiça.
Uso questionável do cargo público
A conduta de Salazar no exercício do mandato também levanta preocupações. Em uma decisão controversa, anunciou a intenção de contratar cinco ex-policiais militares expulsos da corporação após serem filmados agredindo um adolescente de 15 anos em 2010. Embora tenham sido absolvidos em júri popular, a expulsão foi mantida, e o caso ainda aguarda novo julgamento. Salazar defende que as expulsões foram injustas e pretende nomeá-los em seu gabinete, ignorando o histórico dos envolvidos e as implicações éticas dessa decisão.
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Discrepâncias patrimoniais
Outro ponto que chama atenção é o aumento expressivo do patrimônio de Salazar. Durante a campanha eleitoral, declarou ao Tribunal Superior Eleitoral possuir apenas um apartamento avaliado em R$ 290 mil. No entanto, ao tomar posse, informou à Câmara Municipal de Manaus a posse de bens que totalizam R$ 2,2 milhões, incluindo uma casa de R$ 1,7 milhão e quatro veículos. A discrepância levanta suspeitas.
Trajetória controversa
A trajetória de Sargento Salazar na política amazonense é marcada por controvérsias, decisões questionáveis e um aparente descompromisso com os princípios éticos que deveriam nortear o serviço público. Seus atos indicam um uso do cargo para promoção pessoal e avanço de interesses próprios, em vez de servir à população que o elegeu. É essencial que os eleitores estejam atentos a essas condutas e exijam responsabilidade e integridade de seus representantes.
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