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Desgastados, senadores desistem de reeleição e ‘rebaixam’ candidaturas

Senadores réus na Lava Jato tentam manter o foro privilegiado.

Por Hugo Guimarães

01/10/2018 às 11:04 - Atualizado em 01/10/2018 às 17:11

Seis senadores decidiram mirar “para baixo” nas eleições do próximo dia 7. Em vez de concorrer à reeleição no Senado Federal, se lançaram a uma vaga na Câmara dos Deputados. Entre os nomes mais conhecidos desses parlamentares, estão Aécio Neves (PSDB-MG), segundo colocado na disputa presidencial de 2014, José Agripino Maia (DEM-RN), senador desde 1987, e Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente nacional do partido.

“Esses parlamentares se viram envolvidos em escândalos de corrupção, julgados ou não, mas que mancharam suas eleições e pretensões políticas”, afirma o cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV-SP (Fundação  Getúlio Vargas).

Claudio Couto, coordenador do mestrado em Gestão e Política da FGV-SP, concorda com a avaliação. “Estamos falando de caciques dos partidos, não de qualquer um. Por isso pode-se falar em um rebaixamento. O Senado é a casa dos caciques, razão pela qual lá [os concorrentes] rodam menos do que na Câmara.” Há uma característica da disputa decisiva para essa escolha. “Ao olhar para a Câmara, vê-se que para muitas vagas se exige muito menos votos. No Senado, o cargo é majoritário, então você tem de ganhar dos outros concorrentes”, explica
Abrucio.

De acordo com Couto, isso faz parte do jogo político. “Quem entra em uma eleição para disputar a sério tem de ter estratégia. Isso [tentar um cargo proporcional] é parte de uma estratégia tanto deles para se manterem na vida pública quanto dos partidos para não se mancharem também.” A reportagem procurou os candidatos para comentar, caso por caso, o que os levou a tomar essa decisão.

Aécio Neves (PSDB-MG)

Ex-presidente do PSDB e segundo colocado na disputa presidencial em 2014, quando perdeu para a petista Dilma Rousseff, o mineiro era um dos principais nomes da política nacional até ter seu nome ligado a escândalos de corrupção na Operação Lava Jato. Envolvido em delações de empresários e políticos, o senador tornou-se réu no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a denúncia de receber R$ 2 milhões do empresário Joesley Batista. Além disso, Aécio responde ainda a outros oito inquéritos no tribunal. “Não dá para ganhar do Aécio [em isolamento político]”, afirma Couto. “As denúncias fizeram com que ninguém quisesse se associar a ele.” Esta imagem é reforçada nacionalmente pelo candidato do PSDB à Presidência da República. Em entrevista ao Jornal da Globo, Geraldo Alckmin afirmou que o mineiro não saiu da presidência do partido porque quis, mas foi tirado.
“Em Minas, o Aécio aparece o tempo inteiro como algo negativo, imagem incentivada em especial pela campanha de Fernando Pimentel, do PT, adversário do tucano Antonio Anastasia”, afirma Abrucio.
Com o rebaixamento de Aécio, o PSDB decidiu não lançar candidato ao Senado no estado em 2018.De acordo com a última pesquisa eleitoral, os dois candidatos da chapa  “Reconstruir Minas”, encabeçada pelos tucanos, Rodrigo Pacheco (DEM) e Dinis Pinheiro (SD), brigam pela segunda vaga na eleição liderada por Dilma.

O UOL contatou a assessoria do candidato e do PSDB em Minas Gerais para entender as razões de ele não tentar  a reeleição, mas não teve resposta até  publicação deste texto. Em agosto, quando lançou a candidatura, o senador declarou que não havia sido “uma decisão fácil” e que estava sofrendo “ataques violentos e covardes”.

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“Farei isso em respeito à minha trajetória política, à minha família e a todos os que me levaram a conduzir o que muitos consideram o mais exitoso governo da história recente”, afirmou Aécio por meio de nota.

Gleisi Hoffmann (PT-PR)

Um escândalo de corrupção também atrapalhou os planos da atual presidente nacional do PT para seguir com uma cadeira no Senado, mesmo tendo sido absolvida. Gleisi e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo (PT), foram denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) sob a acusação de terem recebido R$ 1 milhão em propina do esquema de corrupção na Petrobras.

O dinheiro teria sido empregado na sua campanha ao Senado em 2010. Em junho deste ano, no entanto, ambos foram absolvidos no STF. A senadora responde ainda a três processos no tribunal. Ela foi denunciada duas vezes pela PGR, com base em delações da Odebrecht e por supostamente integrar uma organização criminosa com outros políticos, e em um inquérito que apura desvio de recursos do Ministério do Planejamento quando Paulo Bernardo comandava a pasta. Os especialistas avaliam que o julgamento e as denúncias pesaram para a troca de cargo. “Escândalos de corrupção sempre influenciam”, afirma Couto.

A senadora confirma essa tese. Em entrevista enviada ao UOL por sua assessoria, Gleisi afirma que tomou a decisão devido ao “processo de desgaste” que sofreu com a denúncia. “Mesmo sendo inocente, quando [a denúncia] era divulgada, eu era divulgada como culpada. Jamais tive o benefício da dúvida”, declarou a senadora.

“Eu já era tida como uma pessoa que devia, como criminosa. Eu ia passar uma campanha majoritária, como é a do Senado, tentando justificar, o que não é bom.” Além disso, Abrucio também avalia a mudança do perfil do eleitor no estado.

“O Paraná mudou muito nos últimos quatro anos, deu uma guinada à direita”, afirma o especialista. “É só ver as últimas eleições, o centro para direita se fragmentou e expandiu.” Em vez de Gleisi, o partido decidiu lançar a advogada Mirian Gonçalves, que aparece em sexto lugar pela disputa, de acordo com a última pesquisa Ibope,
divulgada na última quinta-feira (27).

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“O rebaixamento é fruto deste embate entre a consciência individual e vontade de perpetuação e as pretensões do partido. No fim, é isso o que decide”, diz Abrucio.

Lídice da Mata (PSB-BA)

Há, no entanto, casos em que a decisão foi imposta pelo partido, à revelia do que desejava o parlamentar. É o que aconteceu com a baiana Lídice da Mata, ex-prefeita de Salvador e presidente do diretório estadual do PSB na Bahia. Sem estar envolvida em escândalos de corrupção, a senadora teve de optar pela Câmara depois que seu partido se coligou com PT.

A princípio, Lídice rejeitou a situação e ameaçou lançar candidatura própria. “Depois de um intenso debate que fizemos na Bahia e, apesar do nosso esforço e de toda a mobilização defendendo a nossa presença na chapa liderada pelo governador Rui Costa, isso não foi possível”, afirmou a senadora ao UOL.

“Expressamos o nosso descontentamento com a exclusão de uma mulher na chapa, chegamos a avaliar a possibilidade de uma candidatura avulsa, porém entendemos que traria muitas dificuldades às demais candidaturas do partido”,concluiu.

“O partido decidiu isso para conseguir compor a chapa [com o PT]. Ela ficou brava, mas aceitou. No fim, como sua pretensão é se manter no jogo político e quem sabe voltar à prefeitura ou governo, continuar no meio político é bom, faz sentido”, avalia Abrucio.

“É preciso entender como funcionou o acordo da coligação no estado. Dificilmente uma mesma chapa elege os dois senadores”, afirma Couto. “Como Jaques Wagner é o titular, eles podem tê-la preterido para não canibalizar os votos. É aquela velha história: melhor não trocar o certo pelo duvidoso.” Wagner encabeça a chapa completada pelo Coronel Ângelo (PSD), atual terceiro colocado nas pesquisas.

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José Agripino Maia (DEM-RN) 

Ex-prefeito de Natal, ex-governador do Rio Grande do Norte e senador há 30 anos, o potiguar Agripino Maia teve sua carreira política abalada ao se tornar réu no STF por duas vezes. A PGR acusa o político de ter recebido R$ 1,1 milhão em propina para influenciar na escolha de uma empresa pelo governo para um contrato de inspeção veicular.

Como Aécio, o democrata teve de deixar a direção nacional do seu partido em meio aos escândalos. “Aécio e Agripino estão fazendo campanhas mais escondidas para evitar discussões e, principalmente, não influenciar seus candidatos ao governo”, afirma Abrucio. “O receio é chamar a atenção para os escândalos, embora seu candidato ao governo já vá perder.”

No Rio Grande do Norte, o DEM faz parte da coligação que tem o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT) como candidato. De acordo com a última pesquisa eleitoral, ele está com 25% das intenções de voto, 14 pontos abaixo de
Fátima Bezerra (PT). Sem Agripino, o partido também não indicou candidato ao Senado. Na chapa, as vagas são ocupadas por Garibaldi Filho (MDB) e Jácome (PODE).

O UOL procurou a assessoria do senador e do Democratas no Rio Grande do Norte para comentar a decisão, mas não obteve resposta.

Suplentes podem usar vaga diferente como alavanca

Dois nomes menos conhecidos completam o sexteto dos rebaixados. Eles eram suplentes na eleição de 2010, por isso os cientistas políticos não avaliam que se trate de um rebaixamento, mas de uma oportunidade. Hélio José (PROS-DF) assumiu a cadeira em janeiro de 2015, quando o titular Rodrigo Rollemberg (PSB) se tornou governador do Distrito Federal. José Medeiros (PODE-MT) ingressou no Senado na mesma época no lugar de Pedro Taques (PSDB), atual governador de Mato Grosso. “Estes são casos diferentes.

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Para o cargo que eles assumiram, não tiveram votos. O eleitor vota no titular e o suplente assume por várias razões. O mandato, neste caso, pode ser usado como trampolim para ganhar uma eleição própria”, avalia Couto.

“Nestes casos, não pode se considerar rebaixamento, faz sentido [que pleiteiem a Câmara]. Afinal, nem no jogo  eleitoral eles estavam. Isso é alavancar uma candidatura”, concorda Abrucio. Medeiros não viu dessa forma. Durante a convenção estadual do Podemos, o partido decidiu fechar coligação com o PT, partido do qual o senador é crítico
nacionalmente.

Ele reclamou do que chamou de “mudança de rota”. “Inicialmente eu era précandidato ao Senado Federal, mas a nossa candidatura cresceu muito e incomodou também. Forças ocultas trabalharam muito forte para destruir o nosso projeto de reeleição e todos sabem o que aconteceu”, declarou o senador à época.

O UOL tentou entrar em contato com a assessoria do candidato para comentar o caso, mas não teve resposta até o momento.

Candidatos devem se eleger

Com escândalos de corrupção ou não, os cientistas políticos afirmam que os seis candidatos devem ser eleitos em seus respectivos estados.
“Aécio e Agripino, que são os mais envolvidos em escândalos, têm bases eleitorais antigas, sólidas e histórias de mais de 30 anos”, afirma Abrucio. “Isso não deve ser um empecilho. Em Minas, há muitas cadeiras e Aécio participa de uma aliança muito forte.”

“A política é dinâmica e muda muito. Veja o caso de Eduardo Suplicy: há quatro anos ele perdeu a única vaga disputada para José Serra [PSDB] por causa da baixa do PT na época. Então teve de voltar como vereador em 2016 e agora está em primeiro nas pesquisas deste ano”, diz Couto. “As explicações [para mudar de cargo] são prosaicas: o caso é que alguns nomes, como Aécio e Agripino, se tornaram insustentáveis. Mas a volta por cima pode acontecer. Em política nada está morto e é nisso que eles apostam”, afirma Couto.

“No fim, todos querem ou alavancar ou reconstruir suas carreiras”, concorda Abrucio. “Mas esta reconstrução precisará, sem dúvida, de muita humildade.”

Fonte: Uol Notícias

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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