Eleições 2022

Praciano diz que não concorda mas entende aliança de Lula com Braga e Omar: “está unindo alhos e bugalhos”

Candidato a deputado estadual, o petista revelou inclusive que tem conflitos políticos com Omar Aziz e relembrou as eleições de 2014 em que os dois se enfrentaram.


Redação AM POST

O candidato a deputado estadual, Francisco Praciano (PT-AM), disse em entrevista exclusiva ao AM POST que não concorda mas entende a aliança feita pelo pré-candidato a presidência da República, Lula (PT), com os senadores Omar Aziz (PSD), que vai concorrer a reeleição e Eduardo Braga (MDB), pré-candidato ao Governo do Amazonas. A parceria mira intensificar dissidências dos partidos PSD e MDB que não estarão formalmente aliados a Lula.

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De acordo com Praciano, Lula decidiu juntar ‘alhos e bugalhos’ numa plataforma só para conseguir governar e por conta dessa aliança ele não pôde entrar na disputa pelo Senado pois o PSD nacional exigiu que o petista apoiasse Omar.

Mas Praciano também destaca que “alhos e bugalhos não é uma coisa boa para a democracia” e que é contrário a coligações de partidos.

“Acho que cada partido devia sair com seu grupo, com a sua ideologia, com seu programa, com as suas ideias, e dizer sociedade eu sou assim e esse é o produto que eu quero entregar pra vocês, sem ter alianças incoerentes, alhos e bugalhos não é uma coisa boa na minha opinião para a democracia. E é isso que está acontecendo no nível majoritário, porque no nível estadual e federal, as coligações já são proibidas. Se o Braga é ou não é do nosso gosto, acho que nesse momento o Lula tem razão de ampliar bases, se não ele não governa”, declarou o petista.

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Ele revelou inclusive que tem conflitos políticos com Omar Aziz e relembrou as eleições de 2014 em que os dois se enfrentaram na disputa pelo Senado e o petista foi derrotado nas urnas. “Resumindo, eu não morro de amores”, disse.

Leia a entrevista na íntegra:

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AM POST: É notório que o senhor tem um grande histórico dentro da política, já faz muito tempo que o senhor está nessa jornada, e em vista desse histórico, quais são os motivos que lhe levaram a optar por essa candidatura de deputado estadual, por que que o senhor não veio para o senado?

Praciano: Eu não vim para Senado porque a nacional do partido, a direção nacional do partido, leia-se também Lula, está desenvolvendo um projeto de ampliação da base política, para que a gente primeiro tenha eleição, que há risco de golpe. Tendo eleição precisamos ganhar, esse governo que está ai não pode continuar, porque desmontou o projeto de país, e se ganhar precisamos governar, e não se governa sem uma base ampla no congresso, principalmente agora, que tem uma base viciada, tem um Centrão perigoso, o país está mais perto de guerra civil, dividido entre ódio e amor, entre fascismo e democracia, com possibilidade de ditadura, instituições quase falidas, a principal instituição que pra mim está falida chama-se congresso, então o Lula está unindo alhos e bugalhos numa plataforma só, para governar. Então em função disso, não me permitiu sair candidato a senado, para ampliar com o PSD nacional, que exigiu que o candidato do Lula fosse o Omar. Para fechar com o MDB que é um partido que está presente em todos os municípios do Brasil, o Lula fechou com o Braga. Nós do PT vamos sair a estadual e federal. Federal, não pensei em sair porque eu já fui, inclusive já tinham desistido dessa história de federal, ai o zé Ricardo muito bem foi o deputado federal mais votado, por que que eu iria concorrer com ele? Sempre fiz dobradinha com ele, vamos fazer novamente dobradinha, e parceria com os nossos outros companheiros do PT, a Rani Moura, que representa uma candidatura interessante das mulheres né, e o Sassá, que também é nosso vereador, que também é candidato a federal.

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AM POST: Em entrevistas anteriores, o senhor disse que gostaria de ocupar o cargo de deputado estadual, para defender pautas importantes para o Estado do Amazonas. Quais seriam essas pautas que o senhor defende?

Praciano: Olha eu nunca fui deputado estadual, fui vereador 4 vezes e 2 vezes deputado federal. Estou empolgado com a pauta local, porque acho que a nossa assembleia, primeiro, não tem uma pauta amazônida, eu vou dizer com nada de humildade que eu vou tentar fazer com que a assembleia comece a amar o Estado do Amazonas, que coloque na pauta o índio, nós somos uma terra indígena, a questão indígena tem que estar presente. Nós somos uma terra que tem muita queimada então vamos colocar as queimadas que geram um prejuízo de colocar gás carbônico na atmosfera, vamos colocar o desmatamento que diminuiu a redução do gás carbônico, porque reduz a absorção e o sequestro de gás carbônico, então vamos amazonidar essa pauta. Começar a pensar numa economia verde, uma economia da biodiversidade, uma economia do PIB de floresta em pé, PIB é riqueza, produção de riqueza com as florestas em pé, com a floresta viva, então essas são basicamente minha pauta. É garantir, brigar pela estabilidade da zona franca, pela continuidade da zona franca, pela economia local, o aproveitamento das nossas vocações e pelo amazonidar da pauta. Vamos fazer um esforço na assembleia e governo do estado, de fazer com que o mundo goste da gente, nós estamos falando de Amazônia, que o Brasil goste da gente, porque o mundo todo cobiça a amazônia, mas tem um país que cobiça muito pouco, quem é? Nós, o Brasil, e principalmente o Amazonense. Então em resumo essa é a pauta

AM POST: Uma das funções de deputado estadual é fiscalizar as ações do governador, e o Lula resolveu apoiar a pré-candidatura ao governo do Amazonas de Eduardo Braga (MDB), mesmo com todo o histórico dele de acusações de corrupção, o senhor concordou com esse apoio, ele lhe representa como candidato?

Praciano: Eu sou contrário e a maioria do PT, alias o PT brigou para isso né. Sou contrário a coligações, uniões, alianças entre partidos. Acho que cada partido devia sair com seu grupo, com a sua ideologia, com seu programa, com as suas ideias, e dizer sociedade eu sou assim e esse é o produto que eu quero entregar pra vocês, sem ter alianças incoerentes, alhos e bugalhos não é uma coisa boa na minha opinião para a democracia. E é isso que está acontecendo no nível majoritário, porque no nível estadual e federal, as coligações já são proibidas. Se o Braga é ou não é do nosso gosto, acho que nesse momento o Lula tem razão de ampliar bases, se não ele não governa.

AM POST: Em relação ao Omar Aziz também é o mesmo posicionamento?

Praciano: É o mesmo posicionamento eu sai inclusive, já sai contra o Omar Aziz em 2014, temos conflitos, nível pessoal não, nível político. Resumindo, eu não morro de amores e não me apaixonei ainda por nenhum candidato majoritário dessa eleição mas aceito o que é coerente em nome do Brasil, seguindo a orientação do lula, não só por causa do lula, porque a lógica, a inteligência desse projeto do Lula é recuperar o pais, principalmente riquezas que nós estamos perdendo, recuperar direitos trabalhistas que nós perdemos quase todos, recuperar nossas instituições, recuperar a soberania, credibilidade que o mundo não acredita mais na gente, precisa de muita coisa, e pra isso a gente não pode ser pequeno, tem que ser grande, esse é o projeto do Lula.

Veja vídeo: