Eleições 2022

Veja vídeos: Convenção do PT no Amazonas é marcada por conflitos e divergências devido alianças costuradas por Lula

Um acordo imposto de cima para baixo fez o PT apoiar o senador Eduardo Braga (MDB) para o governo e Omar Aziz (PSD) para a reeleição ao Senado.


Redação AM POST*

Em estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, militantes e líderes petistas contestam as alianças locais costuradas pelo ex-presidente Lula (PT), pré-candidato a presidência da República, para as eleições deste ano. Um dos casos mais emblemáticos é o Amazonas, onde um acordo imposto de cima para baixo fez o PT apoiar o senador Eduardo Braga (MDB) para o governo e Omar Aziz (PSD) para a reeleição ao Senado.

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A aliança mira intensificar dissidências dos dois partidos, que não estarão formalmente aliados a Lula: o MDB lançou a senadora Simone Tebet ao Planalto, e o PSD deve ficar neutro.

Governador de 2003 a 2010, Braga tentará um terceiro mandato, mas aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. O cenário não é dos mais favoráveis: ele nunca venceu uma eleição para o governo na oposição e enfrenta desgaste político —em 2018, por pouco não se reelegeu para o Senado.

Pesa contra o senador o seu voto a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016. Quando questionado sobre o assunto, limita-se a dizer que a questão ficou no passado.

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Entre os petistas, por exemplo, há deputados estaduais que fazem parte da base de apoio do governador Wilson Lima (União Brasil), pré-candidato a reeleição, e vão apoiar a reeleição do governador, que fechou aliança com o presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado.

É o caso do próprio presidente do PT no Amazonas, deputado estadual Sinésio Campos. Além de ser aliado de Lima, ele é um defensor de pautas que geram controvérsia na esquerda, caso da mineração em terras indígenas.

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Sinésio defendia que a federação não apoiasse nenhum candidato ao governo, mas diz que respeitará a decisão de apoio a Braga.

Relação conturbada de Omar e Braga
Outro ponto de conflito está na relação entre Eduardo Braga e Omar Aziz, que têm um histórico de brigas políticas e chegaram a trocar farpas durante a CPI da Covid no Senado.

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Omar Aziz foi vice-governador de Braga em dois mandatos. Os dois romperam politicamente em 2014, quando Omar apoiou o então vice-governador, José Melo, na disputa pelo governo contra o senador do MDB, que foi derrotado.

Nesta eleição, Omar aceitou firmar aliança com o MDB após conversas com Lula. Mas a tendência é que seja um casamento de aparências: na convenção do PSD, não houve convite nem citação a Braga.

Conflito na convenção petista
Durante a convenção estadual do Partido dos Trabalhadores, no último sábado (30), realizada no Sindicato dos Metalúrgicos, na zona Sul de Manaus, Omar evitou olhar para o emedebista que inclusive pediu no evento pela sua reeleição.

Após Braga ser chamado para discursar no evento um grupo de militantes petista deixou o local. Eduardo não conseguiu esconder o mal-estar que sentiu na convenção do PT, ele esboçou estar à vontade, mas acabou fechando a expressão em vários momentos.

O clima esquentou na convenção estadual quando o candidato Thiago Medeiros rebateu argumento do vereador e candidato a deputado federal Sassá da Construção Civil (PT) que afirmou que a militância do partido no Amazonas não apoia a pré-candidatura ao Governo do Estado, de Eduardo Braga, e chamou o emedebista de ‘golpista’.

“Se você não aceita a decisão ou pede pra sair ou fica calado. O PT não é uma pessoa, mas somos todos nós. E temos o ideal de eleger Lula. E para eleger Lula tivemos que aceitar o Alckmin e vamos ter que aceitar a direção nacional do partido. Se for pra falar de golpista, o Omar também foi e nós estamos aqui aceitando”, ressaltou.

*Com informações da Folha de S.Paulo