Justiça suspende conta de Pablo Marçal no Instagram
Caso o perfil não seja retirado do ar em até duas horas, a plataforma poderá enfrentar um bloqueio imediato de R$ 200 mil.

Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Na manhã deste sábado, 5 de outubro, o juiz Rodrigo Capez, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, decidiu suspender por 48 horas o perfil de Instagram @pablomarcalporsp, do candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, Pablo Marçal. A medida foi tomada após a divulgação de um suposto laudo médico que atribuía ao adversário Guilherme Boulos (PSol) a internação por uso de cocaína. Caso o perfil não seja retirado do ar em até duas horas, a plataforma poderá enfrentar um bloqueio imediato de R$ 200 mil.
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O juiz destacou que, se forem encontrados outros perfis ou contas de Marçal com a mesma finalidade de disseminar informações falsas, as mesmas ações serão tomadas. Além da suspensão do perfil, Capez requisitou à Polícia Federal a instauração de um inquérito para apurar a origem do laudo médico e considerar pedidos de busca e apreensão, bem como o afastamento do sigilo de dados e comunicações relacionados ao caso.
A polêmica começou na noite de sexta-feira, 4 de outubro, quando Marçal divulgou um receituário médico alegando que Boulos havia sido internado por “surto psicótico grave” devido ao uso de cocaína. O laudo, datado de 19 de janeiro de 2021, apresentava a assinatura do médico José Roberto de Souza, que, segundo informações do Conselho Regional de Medicina, está com o CRM inativo desde abril de 2022 e já faleceu.

Foto: Divulgação
As filhas do médico também desmentiram qualquer vínculo de seu pai com a clínica mencionada no documento. O laudo afirmava que Boulos teria apresentado uma concentração de 2,825 ng/mg de cocaína em um exame toxicológico, um fato que o candidato negou veementemente, caracterizando a divulgação como uma tentativa de difamação.
A ação judicial gerou repercussão imediata no cenário eleitoral. Guilherme Boulos solicitou a prisão de Pablo Marçal devido à gravidade da acusação e à disseminação de informações falsas em um momento crítico da campanha. O juiz Rodrigo Marzola Colombini, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, já havia concedido uma liminar para a exclusão de posts de Marçal em redes sociais, incluindo Instagram, TikTok e YouTube.
O magistrado considerou que havia “plausibilidade nas alegações” apresentadas por Boulos e sua equipe, destacando a falsidade do documento e a relação próxima entre Marçal e o proprietário da clínica que teria emitido o laudo. Ele também notou a coincidência de timing, já que a divulgação ocorreu na véspera da eleição, o que poderia influenciar o voto dos eleitores.
A Polícia Federal está agora encarregada de investigar a autenticidade do laudo médico e as circunstâncias de sua divulgação. O inquérito buscará esclarecer se houve uma estratégia orquestrada para prejudicar a imagem de Boulos. Com as provas disponíveis, incluindo a inatividade do CRM do médico e o testemunho das filhas, a PF pretende coletar informações que possam levar à responsabilização dos envolvidos.
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