TRE-AM barra recurso e mantém condenação em ação do Avante contra empresa por irregularidade em pesquisa eleitoral no Amazonas
Decisão impede que recurso da OPP O Primeiro Portal Pesquisa de Mercado Ltda. avance no TRE-AM e mantém condenação.
- Foto: Divulgação
Resumo
- Decisão: TRE-AM inadmitiu recurso da OPP e manteve multa de R$ 50 mil.
- Pesquisa irregular: levantamento AM-03018/2026 tratou das disputas ao Governo e ao Senado no Amazonas.
- Ligação política: um sócio da empresa atua no gabinete do vereador Coronel Rosses, do PL.
- Recursos públicos: empresa recebeu R$ 40 mil da cota parlamentar do deputado Delegado Péricles entre janeiro e abril de 2026.
Notícias de Política – O Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) inadmitiu o Recurso Especial Eleitoral apresentado pela empresa OPP O Primeiro Portal Pesquisa de Mercado Ltda. Com a decisão, permanece válida a condenação que declarou irregular a pesquisa registrada sob o número AM-03018/2026 e aplicou multa de R$ 50 mil à empresa.
O recurso foi barrado pela Presidência do TRE-AM, sob o entendimento de que a análise pretendida pela empresa exigiria reexame de provas já avaliadas pelo plenário da Corte.
Leia mais: Salazar faz vídeo com ameaça de morte a Roberto Cidade, Wilson Lima e David Almeida
PUBLICIDADE
Por que a pesquisa eleitoral foi considerada irregular
A pesquisa foi questionada pelo diretório estadual do Partido Avante no Amazonas. O TRE-AM apontou falhas no registro do levantamento no sistema PesqEle, plataforma oficial da Justiça Eleitoral para cadastro e fiscalização de pesquisas.
Entre as irregularidades reconhecidas estão:
- Ausência do relatório completo com os resultados da pesquisa;
- Falta de detalhamento territorial, incluindo municípios, bairros e setores censitários;
- Divergência entre as faixas de renda do plano amostral e do questionário aplicado;
- Falta de complementação de dados obrigatórios dentro do prazo legal.
A Justiça Eleitoral considerou que as falhas impediam a conferência adequada da metodologia usada no levantamento.
Confira TRE-AM OPP
Qual pesquisa foi alvo da decisão eleitoral
O levantamento AM-03018/2026 foi divulgado em abril e avaliou intenções de voto para os cargos de governador e senador do Amazonas. Na disputa pelo Governo do Estado, a pesquisa apontou a pré-candidata Maria do Carmo, do PL, na segunda colocação.
O levantamento também indicou o deputado federal Capitão Alberto Neto, também do PL, na liderança da corrida pelo Senado, com 36,15% das intenções de voto. A pesquisa ainda apontou o prefeito David Almeida, do Avante, como o nome com maior índice de rejeição, com 40,02%.
Qual é a relação entre a OPP e o gabinete do vereador Coronel Rosses
Francisco José da Costa Aires Filho, sócio da OPP O Primeiro Portal Pesquisa de Mercado Ltda., ocupa cargo de Assistente Parlamentar Comissionado (APC-1) no gabinete do vereador Coronel Rosses, do PL, na Câmara Municipal de Manaus.
PUBLICIDADE
Segundo registros do Portal da Transparência da CMM, ele está lotado no gabinete desde maio de 2025. Os dados citados na apuração apontam remuneração mensal aproximada de R$ 3.238,70 até maio deste ano. Em dezembro de 2025, o valor registrado chegou a R$ 4.586,91. A OPP é conhecida comercialmente como Iveritas IP e atua como portal de notícias e instituto de pesquisas de opinião pública e eleitoral.
A empresa recebeu dinheiro público da cota parlamentar
Registros oficiais apontam que a OPP recebeu R$ 40 mil da cota parlamentar do deputado estadual Delegado Péricles entre janeiro e abril de 2026. Os pagamentos foram classificados como serviços de consultoria e assessoria de comunicação, em quatro parcelas mensais de R$ 10 mil.
Delegado Péricles é irmão do vereador Coronel Rosses. A relação ganhou repercussão porque um dos sócios da empresa contratada ocupa cargo comissionado no gabinete do parlamentar.
A Justiça Eleitoral já havia autorizado auditoria da pesquisa
Antes da condenação, o TRE-AM autorizou auditoria técnica sobre a pesquisa AM-03018/2026, após pedido apresentado pelo Partido Avante. A medida determinou o acesso a documentos técnicos do levantamento, como planilhas de coleta, identificação de entrevistadores, questionários aplicados e outras informações metodológicas. O Ministério Público Eleitoral se manifestou favoravelmente à fiscalização dos dados.
A decisão que inadmitiu o recurso mantém a pesquisa considerada irregular e preserva a multa de R$ 50 mil aplicada à OPP. A empresa ainda pode buscar nova medida dentro do prazo legal. Caso não haja novo recurso, o processo terá trânsito em julgado e seguirá para os procedimentos finais na Justiça Eleitoral.
Por que esse caso importa para o eleitor do Amazonas
Pesquisas eleitorais têm influência direta no debate político, nas estratégias de campanha e na percepção do eleitor sobre a disputa. Por isso, dados como plano amostral, locais de coleta, perfil dos entrevistados e resultados precisam estar disponíveis no sistema da Justiça Eleitoral dentro dos prazos previstos.
No Amazonas, onde levantamentos eleitorais circulam com rapidez em portais, programas de rádio e redes sociais, a transparência metodológica é fundamental para que o eleitor avalie a confiabilidade dos números divulgados.
Encontrou algum erro? Clique aqui e nos ajude a melhorar a informação
Declaração de Transparência
Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.
Siga-nos







