Famílias carentes da Zona Rural de Envira temem perder Bolsa Família após prefeitura atrasar início do ano eleito
Prefeito Ivon Rates havia prometido o início das aulas para o mês de março.
- Foto: reprodução
Notícias de Envira – Mesmo com quase seis meses decorridos do ano de 2025, o ano letivo ainda não começou para cerca de 1.500 estudantes da zona rural do município de Envira, a 1.208 quilômetros de Manaus. A paralisação das aulas tem gerado não apenas um atraso educacional, mas também medo nos pais de perder o benefício do Bolsa Família, que garante o mínimo de sustento.
A situação crítica escancara a falta de planejamento da administração do prefeito Ivon Rates, que havia prometido o início das aulas para o dia 24 de março. Até o momento, nenhuma escola rural iniciou as atividades de 2025, confrome informação de moradores. A alegação oficial da Prefeitura é a falta de material escolar nas comunidades.
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“A gente já está em maio, e meu filho continua em casa, sem estudar. Tenho medo de perder o Bolsa Família porque ele não está frequentando aula”, relatou a moradora Maria do Carmo.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social exige frequência escolar mínima como uma das condições para manter o pagamento do Bolsa Família. Em Envira, 78,77% das famílias cadastradas no CadÚnico recebem o benefício. Segundo dados oficiais, 3.856 famílias vivem com renda de até R$ 109 mensais, em situação de extrema pobreza.
Uma das principais regras é garantir que crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estejam matriculados na escola e com a frequência mínima exigida. Se a matrícula ou a frequência não forem atendidas, o benefício pode ser bloqueado, suspenso ou até cancelado.
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“A falta de aula não é só prejuízo no aprendizado. É comida que pode faltar em casa, porque a gente depende do Bolsa Família para comprar o básico: arroz, feijão, farinha”, lamenta o agricultor João Lopes, pai de duas crianças em idade escolar.
O vereador Nonato Lopes disse a reportagem que cobrou explicações da Prefeitura de Envira e exigiu uma solução imediata para o problema.
“Dia 24 de abril 2025, fiz um requerimento ao prefeito Ivon, pedindo informações sobre não início do ano letivo na zona rural do município, já que o próprio prefeito tinha anunciado que iniciaria no mês de março. Solicitei que, seja informado o motivo da não efetivação do calendário escolar, apresentado um novo cronograma com data definida para o início das aulas e adotadas medidas emergências para garantir o acesso à educação aos alunos da zona rural, evitando prejuízos ao ano letivo“, disse o vereador Nonato Lopes ao Portal AM POST e também destacou que não recebeu resposta até o momento.
Outro lado
Em nota enviada ao Portal AM POST, a Prefeitura de Envira afirmou que os materiais necessários “já foram adquiridos” e que as aulas devem iniciar em breve. O comunicado ainda justifica o atraso com base na “desestruturação encontrada in loco” e que a atual gestão estaria “superando o abandono do processo escolar” herdado da administração anterior.
“O não cumprimento do início das aulas na zona rural com base na data divulgada deu-se pela desestruturação encontrada in locos e aquisição de materiais necessários para o início. Superar o atraso decorrente do abandono do processo escolar tem sido nosso maior desafio, mas nunca faltou compromisso da Administração”, diz nota.
Enquanto o impasse persiste, os estudantes continuam fora das salas de aula e longe de um direito fundamental: a educação.
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