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Espaço Cultural

Projeto leva atividades de saberes indígenas para escola da Zona Norte de Manaus

Duas atividades iniciam nesta semana e seguem até sexta-feira (12).

  • Por AM POST

  • 09/04/2024 às 07:16

  • Leitura em cinco minutos

Foto: Divulgação

No mês dos Povos Indígenas, o projeto formativo “Aldeia Manaó” chega ao Centro Integrado Municipal de Ensino – CIME Draª Viviane Estrela Marques Rodella, na zona norte de Manaus, com a realização de oficinas, palestras e roda de conversa acerca dos saberes dos povos originários, como as danças, as línguas e a tradição indígena.

A oficina de dança Tukano, ministrada pela artista indígena Dhuígo Tukano; e a oficina de língua Matses, ministrada pelo oficineiro Nakua Mayoruna, que iniciaram nesta segunda (8), seguem até sexta-feira (12), nos turnos matutino e vespertino. As demais atividades seguem por todo o mês de abril.

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O projeto tem como proposta fomentar a integração entre crianças, adolescentes e professores sobre os saberes ancestrais, promovendo esse processo de introdução da educação indígena, junto com os colaboradores, como pesquisadores, ativistas, artistas e historiadores que fazem parte de oito povos, sendo eles: Sateré-Mawé, Marubo, Tukano, Tikuna, Matses, Desssana, Karãpana e Baré.

Novas formas de compreensão

Para o gestor do CEMI Dra. Viviane Estrela Marques Rodella, professor Anderson Gamaro, o projeto também é pautado na necessidade de desmistificar o que é contado ao longo da história e apresenta novas formas de compreensão da cultura indígena.

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“Os saberes indígenas são as referências da nossa cultura, eles podem auxiliar às crianças na formação de novos sujeitos, com uma visão mais específica do que os nossos ancestrais vivenciaram desde a chegada dos colonizadores no território que vivemos. Eles certamente ampliaram a compreensão dos nossos educadores para que o trabalho com as crianças seja realizado com os fatos mais atuais, que muitas vezes não são contados pela história dos povos originários”, diz ele.

Idealizado pela multiartista e gestora cultural Francis Baiardi, com a proposta de Potira Baré, esse projeto é contemplado pelo edital Funarte Retomada 2023 – Dança. “Com o projeto quero gerar um impacto afim de trazer reflexões, debates e troca de conhecimentos que contribuam para uma sociedade mais consciente em relação aos povos originários, reverberando a voz dos sabedores e protagonistas de suas próprias histórias, bem como deste projeto, trazendo com as oficinas um ambiente de respeito e valorização a nossa cultura”, destaca a propositora.

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Oficina de dança Tukano

Ao todo, o projeto conta com seis oficinas – cada uma delas com o total de 20h, duas palestras e uma mesa de conversa. Todas as atividades formativas serão realizadas por profissionais indígenas. A artista Dhuígo Tukano conta de que forma vai levar o conhecimento sobre a dança do seu povo para as salas de aula nessa primeira semana do projeto.

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“Eu vou explicar o significado de cada instrumento, vou ter uma troca com eles sobre instrumentalização, e depois farei uma breve prática. Esse conhecimento
da dança são mais os homens Tukanos que fazem, a mulher indígena complementa a dança, e segue o rito com os nossos guerreiros. Então a minha oficina será um pouco teórica e um pouco prática, com a instrumentalização, o significado, em quais festas a gente usa, em quais festas a gente dança, etc.”, revela.

Para Francis, o projeto “Aldeia Manaó” é uma experiência transformadora. “Eu desejo que a gente possa lançar a semente, e que essa semente se multiplique dentro da escola, da sociedade, da cidade… E que a gente entenda que a língua Nheengatu, uma língua indígena, é tão importante quanto saber o idioma estrangeiro, o inglês, o espanhol. Que uma dança Tukano é tão quanto ou maior em significância quanto uma dança clássica”, destaca.

“Eu penso que a forma como os corpos amazônidas são construídos é diferente dos corpos do sudeste, a forma como nos movemos é peculiar, então porque não ter uma dança Tukano dentro das universidades? Sendo ensinada nas instituições, sendo ensinada nos cursos de formação… Então esse é um projeto feito também para nós refletirmos sobre esse lugar enquanto pesquisadores, professores e educadores de dança, de arte”, complementa.

AGENDA DE ATIVIDADES

Semana de 8 a 12 de abril

1. Oficina de dança Tukano
Oficineira: Dhuígo Tukano
Dias: Segunda, quarta e sexta-feira
Turnos: Matutino e vespertino

2. Oficina de língua Matses
Oficineiro: Nakua Mayoruna
Dias: Terça, quinta e sexta
Turnos: Matutino e vespertino

Semana de 15 a 19 de abril

3. Oficina de Grafismo Indígena
Oficineira: Mepaeruna Tikuna

4.Oficina Língua Nheegatu
Oficineiro: Kay Vau Massamé, do povo Karapãna

Semana de 21 a 26 de abril

5. Moda indígena
Oficineira: Waikiru

6. Produção indígena
Oficineira: Rosana Baré

PALESTRAS

Tema: A importância da oralidade para os povos indígenas
Palestrante: Cacica Milena Kukama
Dia: 29/04
Turno: Matutino

Tema: Conhecimento ancestral
Palestrante: Thaís Dessana
Dia: 29/04
Turno: Vespertino

MESA DE CONVERSA

Tema: O protagonismo da mulher indígena
Dia: 30/04
Mediação: Francis Baiardi
Convidadas: Kian Sateré, Thais Dessa e Mel Mura

Redação AM POST

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