Esporte

Eduardo Monteiro de Paula fala sobre Campeonato Amazonense Indígena de Futebol

Segundo ele, o principal objetivo do projeto, além do propósito educativo e esportivo, é resgatar jovens indígenas de situações de perigo.


Redação AM POST

O Jornalista esportivo e ex-atleta Eduardo Monteiro de Paula, conhecido como Dudu, falou em entrevista exclusiva para o AM POST sobre o Campeonato Amazonense Indígena de Futebol, projeto sociocultural idealizado em parceria com o líder indígena da Amazônia Marcos Apurinã e o professor Dr. Gilmar Couto.

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Segundo ele, o principal objetivo do projeto, além do propósito educativo e esportivo, é resgatar jovens indígenas de situações de perigo, como envolvimento no tráfico de drogas, abuso, entre outros.

“Em função das distâncias e da ociosidade das pessoas a perspectiva dos indígenas é praticamente zero. Não há muito o que fazer, tem coisas que eles não podem fazer, pela legislação. Uma outra coisa também que é muito preocupante, é que devido a distância física que esse pessoal fica, imagina, são quase 250 mil indígenas no Amazonas, 180 etnias, 85 idiomas diferentes, os que vem pra cidade na maioria das vezes, infelizmente se corrompem mais, porque como a maioria não tem princípios educacionais que os coloquem na integração da sociedade, eles acabam ficando à margem”, explicou.

A primeira etapa do projeto vai selecionar as melhores equipes, que seguirão para a próxima fase. Porém, existem barreiras que dificultam essa seleção, relacionadas diretamente com a cultura indígena, o que torna o processo mais demorado.

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“Primeiro problema: Tudo bem, tu vais jogar um campeonato, como é que eu vou saber a qualidade do teu time se teu campo de futebol é 10×5? Como é que eu vou saber a qualidade do teu time, se tu jogas descalço? O que nós fizemos para poder fazer a competição? Nós deixamos livre, na primeira fase eles podem jogar da forma que quiserem. Quando teu time ganhar, que vai vir pra outra fase, tem que jogar nas regras da FIFA. Só pra tu imaginar, na área de Tabatinga são 38 mil índios, e aí a gente entra num problema social complicado, que são mais de 300, e um cacique ouve o outro, mas ele é o cacique! Altamente complexo o diálogo”, disse o jornalista.

De acordo com Eduardo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu muito bem o projeto. Além de dar todo o suporte em relação ao campeonato, também fornecerá uniformes e todo equipamento necessário, não somente aos índios que participarão, mas também para as aldeias.

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“A CBF vai distribuir para cada time dois equipamentos completos, e para cada equipe, 4 ou 5 bolas, novas, assinadas pelos jogadores da seleção brasileira. Temos calculado entre 3 a 4 mil bolas para serem distribuídas, que não irão só para os times, iremos dar para as tribos também, como um incentivo”, contou.

O projeto, segundo Dudu, ainda é um embrião, mas promete trazer grandes resultados, trazendo visibilidade e valorização para a cultura indígena bem como impedindo que esses jovens indígenas acabem se envolvendo em maus caminhos.

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