Caso Benício: investigação aponta sucessão de erros e pode responsabilizar mais médicos do Hospital Santa Júlia
Delegado afirma que falhas graves na UTI retiraram qualquer chance de sobrevivência da criança.

(Foto: Arquivo Pessoal)
Notícias de Manaus – A investigação sobre a morte do menino Benício Xavier, ocorrida em 23 de novembro no Hospital Santa Júlia, em Manaus, avançou e passou a indicar a possível responsabilização de outros médicos envolvidos no atendimento da criança.
A informação foi confirmada pelo delegado Marcelo Martins, que conduz o inquérito e classifica o caso como resultado de uma sequência de condutas inadequadas dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
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Benício morreu após receber uma dosagem excessiva de adrenalina, administrada de forma indevida. Conforme já apurado, a prescrição teria sido feita pela médica Juliana Brasil, enquanto a aplicação do medicamento, diretamente na veia da criança, ficou a cargo da técnica de enfermagem Raiza Bentes. A partir desse momento, segundo a Polícia Civil, o atendimento teria sido marcado por erros sucessivos que agravaram rapidamente o estado clínico do paciente.
Entre os novos profissionais citados está o médico Luiz Felipe Sordi, que, de acordo com o delegado, deixou de adotar protocolos considerados fundamentais diante da gravidade do quadro.
A investigação aponta que a intubação deveria ter sido realizada de forma imediata, além da solicitação de apoio de especialistas, como pediatra intensivista e anestesista, o que não ocorreu. Também é questionada a autorização para que Benício fosse alimentado, conduta considerada incompatível com a condição clínica apresentada.
A apuração ainda analisa a atuação da médica Alexandra da Silva, responsável pelo procedimento de intubação. Segundo o delegado, a profissional não teria adotado medidas prévias para esvaziamento gástrico, mesmo com a informação de que a criança havia se alimentado. Outro ponto crítico foi a ausência de um segundo médico para dar suporte durante o procedimento, o que aumentaria os riscos em caso de intercorrências.
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Além disso, a escolha e a condução da medicação utilizada durante a intubação também estão sob análise. Para a polícia, não houve indução adequada de sedação nem preparo para reversão do quadro caso o procedimento inicial falhasse.
Na avaliação do delegado Marcelo Martins, a soma de falhas eliminou qualquer possibilidade real de sobrevivência.
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Ele afirma que o menino foi submetido a intenso sofrimento, razão pela qual o inquérito passou a considerar a qualificadora de crueldade. Os profissionais já prestaram depoimento, e a investigação segue em andamento, sem descartar novas oitivas ou indiciamentos.
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