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Do Água Branca aos Igarapés Limpos: as lutas pela conservação das águas em Manaus

AM Post reuniu e ouviu personagens que trabalham na conservação dos igarapés da capital amazonense.

Por Jonas Souza

25/10/2025 às 17:53 - Atualizado em 30/10/2025 às 12:21

Notícias de Manaus – Quando o assunto é meio ambiente, Manaus se encontra em uma margem crítica. A capital amazonense é a terceira pior cidade do país em saneamento básico e destinação de lixo, segundo dados do Instituto Trata Brasil. Toneladas de resíduos descartados irregularmente acabam nos igarapés — cursos d’água que já foram símbolos de vida e beleza natural.

A capital aparece entre os 20 municípios com os piores índices de saneamento básico do país, segundo o Ranking do Saneamento 2025.

Leia mais: MPF recorre contra leilão de petróleo na Amazônia e alerta para riscos ambientais e sociais

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Mas, em meio à degradação, há quem lute contra esse banzeiro. Grupos e coletivos formados por voluntários vêm mostrando que o amor pelas águas de Manaus ainda pulsa forte. E, entre eles, o projeto Igarapés Limpos se tornou um dos maiores exemplos dessa resistência.

“Cuidar dos nossos igarapés é cuidar da nossa história”

O Igarapés Limpos nasceu em 26 de agosto de 2018, de uma forma quase poética. Um grupo de amigos se reuniu para assistir ao pôr do sol no Paço da Liberdade — hoje Mirante Lúcia Almeida — e se deparou com o local tomado pelo lixo. A partir do encontro, o que começou como um gesto simbólico se transformou em um movimento permanente de limpeza e conscientização ambiental.

“Naquele dia, um pequeno grupo de amigos se reuniu para ver o pôr do sol. O lugar estava lindo, mas também cheio de poluição. Foi ali, diante dessa realidade, que surgiu a vontade de fazer algo diferente: cuidar dos nossos igarapés. O projeto Igarapés Limpos nasceu de forma simples e genuína, e até hoje seguimos assim — com o coração aberto e a disposição de quem acredita que pequenas atitudes podem gerar grandes mudanças.”, conta Daniel Maia Felix, um dos coordenadores do projeto.

Neste mês de outubro, o grupo se reuniu no Igarapé do Educandos onde em mais uma atividade envolvendo a coleta voluntária, mais de 300 quilos de descarte incorreto foram retirados das margens.

Desde 2018, o grupo atua sem fins lucrativos e sem vínculos políticos, movido apenas pelo desejo de ver as águas manauaras limpas novamente. Os voluntários organizam mutirões em diversos pontos da cidade, recolhendo toneladas de lixo e compartilhando histórias nas redes sociais para inspirar mais pessoas.

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“Nosso maior propósito é sensibilizar a população sobre a importância de preservar e respeitar nossas águas. Não dá para esperar que só o poder público resolva — a mudança começa com cada um de nós. A gente costuma dizer que não limpamos só os igarapés — limpamos também a alma da cidade”, finaliza.

Remada Ambiental: união entre esporte e preservação

Além das iniciativas voluntárias, Manaus também conta com ações oficiais que fortalecem essa rede de cuidado. O programa Remada Ambiental, possui o apoio Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), unindo esporte, educação ambiental e cidadania.

Voluntários, esportistas e servidores públicos percorrem o Rio Negro e os igarapés em caiaques e canoas, recolhendo o lixo acumulado nas margens e na água. A Semulsp oferece balsas e caçambas para o transporte de resíduos até o aterro municipal, garantindo o descarte adequado.

As ações ocorrem especialmente em áreas turísticas e de lazer, como o Mirante Lúcia Almeida, Manaus Moderna, São Raimundo, Glória, Feira da Panair e Marina do Davi — pontos que precisam de limpeza contínua para manter o equilíbrio entre o uso urbano e a natureza.

Em setembro deste ano, as ações da prefeitura de em remoção de lixo em igarapés da capital alcançaram a margem de 3560 mil quilos de descarte irregular.

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Água Branca: o último igarapé vivo de Manaus

Enquanto parte dos igarapés da capital luta para sobreviver, um deles ainda resiste limpo: o Igarapé Água Branca, na zona norte. Com todas as suas nascentes preservadas, ele é considerado o último igarapé urbano totalmente conservado de Manaus.

A história da conservação do local se confunde com a trajetória de Jó Farah, fundador da ONG Mata Viva, que desde 1996 se dedica a cuidar da área.

“Quando cheguei aqui, desmatei tudo para construir minha casa, como muita gente fazia na época. Depois percebi o erro. A chuva levava a terra pro igarapé e comecei a recuperar o que destruí, plantando árvores e fazendo contenções. De lá pra cá, já plantamos mais de duas mil árvores”, conta Jó.

O trabalho, iniciado de forma solitária, virou um projeto de referência. Hoje, o local é visitado por pesquisadores, estudantes e ambientalistas que buscam aprender sobre reflorestamento e manejo sustentável.

O legado da família Farah

O filho mais velho, João Miguel Farah, cresceu acompanhando o pai nas ações ambientais e hoje coordena as análises da qualidade da água no igarapé.

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“Aqui a gente consegue ver várias nascentes. Algumas a gente cercou, outras transformamos em pequenos tanques onde criamos peixes para mostrar às crianças como funciona o ecossistema. A Águas de Manaus envia uma equipe que realiza análises da água. Algumas delas permitem resultados imediatos em campo, enquanto outras são levadas para o laboratório para testes mais detalhados. Essas informações nos ajudam a acompanhar a qualidade da água e garantir que o Água Branca continue preservado.”

Segundo João, as análises trimestrais confirmam que a qualidade da água no Água Branca continua boa, especialmente na área central do percurso, graças às várias nascentes protegidas ao longo do igarapé.

“Os resultados mostram que aqui, na metade do percurso, a qualidade é ótima. Isso porque as nascentes ao redor ajudam a manter a água limpa e viva.”

Exemplo que inspira o Amazonas

O trabalho desenvolvido no Água Branca tem chamado a atenção de gestores públicos. O secretário de Meio Ambiente de Presidente Figueiredo, Olavo Angiolis, visitou recentemente a área para conhecer o modelo de conservação da ONG Mata Viva.

“Viemos aprender com o trabalho do Jó para aplicar em nosso município. O igarapé dos Veados está degradado, e precisamos agir. A experiência do Água Branca mostra que é possível recuperar o que ainda temos”, explicou o secretário.

“Os igarapés de Manaus morreram calados”

Para Jó Farah, a maior diferença do Água Branca está na visibilidade e na mobilização comunitária.

“Os outros igarapés de Manaus morreram calados. Ninguém falava sobre eles. O Água Branca, não. Aqui, tudo é mostrado, denunciado, contado. Quem destruir esse igarapé vai ter o nome marcado na história.”

Essa filosofia é compartilhada pelos voluntários do Igarapés Limpos, que acreditam que comunicação e mobilização são ferramentas essenciais de preservação.

“Cuidar do meio ambiente é mais do que limpar o lixo. É contar a história, inspirar outras pessoas e mostrar que cada igarapé carrega a identidade de Manaus”, afirmam.

Da mobilização no Mirante Lúcia Almeida ao trabalho silencioso de reflorestamento no Água Branca, as histórias se conectam por um fio invisível: o amor pelas águas.
Cada voluntário, cada árvore plantada e cada lixo retirado são gestos de resistência e esperança — sinais de que ainda é possível reconciliar a cidade com seus igarapés.

Declaração de Transparência

Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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