Donos do Hospital Santa Júlia prestam depoimento sobre caso Benício em Manaus
Polícia apura falhas na prescrição, aplicação de medicamento e possível irregularidade no cadastro de médica como pediatra.
- Foto: Lucas Macedo
Notícias de Manaus – Foram ouvidos pela Polícia Civil do Amazonas nesta quarta-feira (17), os donos do Hospital Santa Júlia no âmbito das investigações que apuram a morte do menino Benício Xavier, ocorrida após a administração indevida de doses elevadas de adrenalina. O caso é investigado pelo 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e envolve possíveis responsabilidades médicas, técnicas e institucionais da unidade hospitalar.
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Benício morreu no dia 23 de novembro, depois de receber o medicamento de forma inadequada. De acordo com a apuração policial, a médica Juliana Brasil teria prescrito uma dosagem incorreta de adrenalina, enquanto a técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou o medicamento diretamente na veia da criança, procedimento considerado incompatível com o protocolo clínico indicado para o caso.
Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo inquérito, a investigação vai além da conduta individual das profissionais envolvidas. A polícia também busca esclarecer se houve falhas estruturais do hospital, ausência de protocolos de segurança ou problemas no sistema de prescrição que possam ter contribuído para o desfecho fatal.
Foram convocados para prestar depoimento os empresários Édson Sarkis, Édson Sarkis Júnior e Júlia Sarkis, todos ligados à administração do Hospital Santa Júlia. O primeiro a ser ouvido foi Édson Sarkis Júnior, que chegou à delegacia acompanhado de advogados e optou por não se manifestar à imprensa. Em seguida, o fundador da unidade hospitalar, Édson Sarkis, afirmou que o hospital dispõe de protocolos rígidos de segurança, incluindo sistemas de dupla checagem e profissionais responsáveis pela conferência das medicações antes da administração.
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Apesar da declaração, a polícia apura se esses protocolos foram efetivamente seguidos no atendimento prestado à criança. Para os investigadores, a existência de normas internas não exclui eventual responsabilidade institucional caso sejam constatadas falhas na execução ou fiscalização dos procedimentos.
Outro ponto sensível da investigação envolve o possível cadastramento irregular da médica Juliana Brasil como pediatra em uma plataforma do Ministério da Saúde. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que a profissional não possui especialização formal na área, o que pode caracterizar o crime de falsidade ideológica, caso a informação tenha sido inserida de forma indevida. Essa parte da apuração será analisada em um procedimento separado.
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